Cristas vs Catarina: Entre o “fim de benefícios fiscais” e o “Portugal offshore”

Fiscalidade, investimento público, Serviço Nacional de Saúde, clima e políticas para o interior, os temas que marcaram as diferenças entre Cristas e Catarina Martins.

Sem grandes surpresas, Assunção Cristas e Catarina Martins tiveram esta terça-feira dificuldades em encontrar pontos comuns entre os programas que o CDS e o Bloco de Esquerda (BE) levam a votos nas legislativas de 6 de outubro. A um mês e três dias das eleições, a líder dos dois partidos encontram-se pela primeira vez frente-a-frente num debate televisivo, naquele que foi o segundo confronto na rota das legislativas, depois do encontro de António Costa e Jerónimo Martins.

Fiscalidade, investimento público, Serviço Nacional de Saúde, clima e políticas para o interior, foram temas que deram espaço para que cada uma líderes marcasse posição junto do seu eleitorado. Só concordaram que há um longo caminho a percorrer para alcançar a igualdade de género.

1. O programa do adversário

Assunção Cristas

“Não li o programa do Bloco de Esquerda em detalhe. A minha concentração é no programa CDS e nas prioridades do CDS.”

“O programa do CDS é uma visão alternativa de centro direita para Portugal.”

Catarina Martins

“Eu li [o programa do CDS] porque gostos de ler os vários programas.”

“O CDS quer aumentar a licença da parentalidade. Em julho votou contra uma proposta do Bloco que previa aumentar a licença mas registo que esse aumento da licença da parentalidade faça parte do programa do CDS.”

2. Impostos

Assunção Cristas

“O Estado apropriou-se da riqueza que as pessoas criaram.”

“A proposta do BE é aumentar os impostos para a classe média. Não só é corresponsável pela maior carga fiscal de sempre como se propõe aumentar essa carga fiscal.”

“É abuso uma pessoa vender uma casa e comprar outra e ter de pagar uma mais-valia? Eu acho que não porque no fundo está a trocar de habitação”.

“É importante que as pessoas vivam melhor depois de um tempo de uma política de austeridade encapotada. A carga fiscal subiu acima da melhoria da nossa economia.”

“A Catarina Martins quer comparar um tempo de normalidade com tempo de excecionalidade. Isso não é possível. Mas eu recordo-lhe que o aumento de impostos de Vítor Gaspar foi revogado pela carga fiscal máxima de Mário Centeno, do seu governo, do governo que o Bloco de Esquerda apoia.”

“Essa conversa já passou e não tem a desculpa da excecionalidade nem da co-governação com a troika.”

“Quanto a ricos e proteção de ricos e offshores, tenho a dizer-lhe que ficou muito escandalizada quando se verificou que tinha havido transferências de dez milhões no tempo do anterior Governo, mas no tempo do seu Governo foram 30 milhões e não a vi ficar escandalizada.”

Catarina Martins

“A receita fiscal aumentou, não porque as pessoas tenham um esforço fiscal maior, mas porque a economia está a mudar.”

“A ideia de que afirmamos a nossa economia baixando os impostos sobre as empresas. O CDS-PP fala muito da Irlanda. Se quisermos competir com a Irlanda, podemos competir também com o Luxemburgo e fazemos da UE uma competição para baixo em termos de offshores.”

“Não sei que famílias é que a dra. Assunção Cristas conhece mas as que eu conheço estão a pagar menos impostos.”

“O CDS fala do imposto sobre fortunas como se fosse um imposto sobre classe média. Bem sabemos que a classe média para o CDS é bem diferente.”

3. Investimento público

Catarina Martins

“É essencial. Temos um problema: ou o país investe ou não seremos capazes de resolver os problemas que temos. Temos serviços públicos que tiveram cortes brutais com a troika, aumentou-se o investimento, nas não o suficiente.”

“Se ficarmos parados e não investirmos ficamos crescentemente frágeis.”

“O CDS não quer creches públicas, quer contratualizar com privados. O CDS não quer SNS público, quer contratualizar com privados. O BE quer um estado social forte e diz como paga.“

Assunção Cristas

“A grande diferença é que esse investimento tem que ser essencialmente um investimento privado, que aliás foi o que puxou o país nestes quatro anos. O investimento público ficou sempre abaixo dos anos anteriores. Se alguma coisa puxou a economia não foi o investimento público, foi o privado.”

“O CDS quer uma saúde centrada no doente. Um estado social de parceria. ”

4. Interior

Assunção Cristas

“O CDS é o único partido que olha para o território e que propõe um estatuto de benefício fiscal para o interior verdadeiramente diferente.”

Catarina Martins

“Faz mais pelo interior ter escolas e hospitais que uma descida de impostos.”

5. Ambiente

Catarina Martins

(Devemos) “proteger os recursos hídricos e naturaliza-los. Temos barragens a mais. (…) Temos politicas agrícolas que não pensam a questão da agua.”

“Com o clima não podemos negociar.”

“Precisamos mesmo de alterar estrutura da economia, reconverter a nossa economia, mudar a nossa mobilidade para ter uma resposta que seja amiga do ambiente, uma indústria reconvertida. E isso precisa a investimento público.”

Assunção Cristas

“Estamos a falar da água como tema prioritário. Portugal é dos países do mundo mais expostos às alterações climáticas.”

“Temos que guardar a água. A água vai cair, mas de uma forma muito irregular, e aqui distinguimo-nos do BE, certamente, porque achamos que é preciso pensar, estudar, avaliar do ponto de vista ambiental, mas decidir fazer investimentos sérios e estruturais. Viseu, por exemplo, ficou em seca no ano passado, é preciso olhar para aquela barragem e dar-lhe mais capacidade.”

 

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Cristas vs Catarina: Entre o “fim de benefícios fiscais” e o “Portugal offshore”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião