Produção de petróleo pode demorar meses a ser reestabelecida. E não há “almofada”

Saudi Aramco poderá "levar meses" a retomar a produção em pleno, após os ataques. E não há capacidade, no mundo, para tapar o "buraco" de mais de cinco milhões de barris diários.

A Arábia Saudita perdeu, de um momento para o outro, metade da sua capacidade de produção de petróleo. Desapareceram mais de cinco milhões de barris diários num ataque perpetrado com drones que poderá levar meses a reparar. Criou-se um “buraco” na oferta de petróleo mundial, sendo que não há capacidade extra no mundo para o “tapar”. Só as reservas podem mitigar este desequilíbrio entre a oferta e a procura, mas invariavelmente os preços vão ficar mais caros.

De cerca de dez milhões de barris diários, a Saudi Aramco, a companhia estatal do reino saudita, viu a sua capacidade de produção de petróleo reduzida a metade após o ataque às instalações da empresa em Abqaiq e Khurais. Apesar de a empresa ter tentado acalmar os receios dos investidores, anunciado uma rápida reparação das instalações afetadas, surgem agora várias fontes a alertarem que será complicado que consiga voltar ao normal em breve. As nuvens de fumo vistas do espaço mostram que o impacto dos ataques foi significativo.

À Reuters, duas fontes próximas da Saudi Aramco, revelaram que foram informadas de que o regresso à produção em pleno poderá “levar meses”. E enquanto isso não acontece, procuram-se formas de tentar compensar a redução da produção por parte do maior produtor de petróleo do mundo. Mas não é uma tarefa fácil.

Não há, no mundo, “almofada” para absorver um impacto na produção como este. De acordo com dados da Agência Internacional de Energia, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) tinha, em junho, uma capacidade de produção de petróleo extra em torno dos 3,2 milhões de barris por dia, inferior à perda agora registada. E destes 3,2 milhões, cerca de dois milhões de barris extra vinham da Arábia Saudita. Sobra menos de um milhão de barris de capacidade adicional.

Mesmo outros países fora da OPEP, como a Rússia, têm pouca margem para aumentar a oferta, sendo que para muitos outros não é de todo viável explorar poços de petróleo simplesmente porque o custo não é compensado com o preço atual da matéria-prima. Entre esses produtores estão os de petróleo de xisto, dos EUA.

Petróleo dispara com ataque na Arábia Saudita

Há uma quebra de produção efetiva, que não será reposta em breve, que deverá afetar a oferta, mesmo num contexto de abrandamento do crescimento da procura. Para evitar o desequilíbrio nos mercados internacionais, a Arábia Saudita está a libertar reservas, sendo que também os EUA vão fazer o mesmo. E poderá haver um esforço global que será coordenado pela AIE para que vários países coloquem parte dos barris que detêm no mercado para evitar uma escalada das cotações.

Mesmo com os esforços para manter a oferta, as perspetivas de menor produção de petróleo nos próximos tempos estão a levar as cotações da matéria-prima a disparar. O Brent chegou a ganhar quase 20%, a maior subida de 1991, para superar os 70 dólares, tendo aliviado, entretanto, a tendência positiva, mas segue nos 65 dólares. E nos EUA, o West Texas Intermediate está nos 60 dólares.

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