PS não deixa cair medidas do programa eleitoral se houver crise

Mário Centeno revela estratégia para enfrentar uma possível crise. Medidas do programa eleitoral, como são exemplo o alívio no IRS, mantêm-se e sugere que Portugal opta para deixar deslizar o défice.

Mário Centeno elaborou o cenário macroeconómico para o programa eleitoral do PS e já tem uma estratégia de como esse cenário pode reagir no caso de se materializar uma crise económica. Deixa o défice deslizar e mantém as medidas incluídas no programa eleitoral.

Numa conferência de imprensa na sede do PS, em Lisboa, o ministro das Finanças argumentou que a chave do programa eleitoral está no facto de o Programa de Estabilidade prever que Portugal vai atingir o objetivo de médio prazo.

Questionado sobre a resposta prevista no programa do PS para um cenário de crise internacional, o ministro das Finanças refere o uso dos “estabilizadores automáticos”. Isto significa que a despesa sobe — o que pode acontecer com o aumento dos gastos com subsídio de desemprego — e que a receita desce — devido à quebra de atividade num cenário de recessão.

“As contas que temos são que Portugal tem a margem orçamental para o fazer [usar os estabilizadores automáticos]“, diz Centeno, sugerindo assim um desvio no saldo orçamental face ao previsto.

No entanto, deixa um aviso: “Esta margem existe antes do leilão de promessas”, que considera estar a ser feito na campanha eleitoral, nomeadamente pelo BE, PSD e CDS, de quem foi muito crítico na conferência de imprensa. “Depois do leilão, só há retificativos”.

O objetivo é não beliscar as promessas eleitorais feitas agora e que o PS tem defendido estarem assentes em contas certas e em cenários prudentes.

O ministro das Finanças disse esta sexta-feira que o programa eleitoral acrescenta uma “nova margem” orçamental ao Programa de Estabilidade que implica até 2023 um acréscimo de despesa de 597 milhões de euros, dos quais 142 milhões em prestações sociais e 373 milhões em investimento.

Do lado da receita, o programa eleitoral prevê 200 milhões extra para um alívio no IRS.

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