Há mais estrangeiros a trabalhar em Portugal e são mais qualificados

Desde meados de 2018 que a população ativa estrangeira em Portugal está em crescimento, rejuvenescendo o mercado de trabalho nacional. Os imigrantes são também mais qualificados que os nacionais.

Ainda que a população nacional tenha vindo a ser alvo de uma tendência de redução, a população ativa em Portugal tem crescido à boleia do reforço do número de estrangeiros a trabalhar por terras lusitanas. E de acordo com o Banco de Portugal (BdP) esses imigrantes em idade ativa são mesmos mais qualificados que os portugueses.

“Apesar da tendência de redução e envelhecimento da população residente, a população ativa tem aumentado desde 2017”, explica o Banco de Portugal, indicando cinco fatores para essa evolução: o aumento da idade da reforma (que este ano está fixada nos 66 anos e cinco meses, estando a sua evolução ligada à esperança média de vida aos 65 anos, de modo a reduzir o impacto do envelhecimento demográfico no mercado de trabalho), o reforço da participação feminina, o aumento da escolaridade, a recuperação económica e, mais recentemente, os fluxos migratórios.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), desde meados de 2018 que a população ativa estrangeira tem evoluído mesmo de forma contrária à população ativa portuguesa: enquanto a segunda tem decrescido, a primeira tem aumentado, representando atualmente 3,2% da população ativa total (grupo que inclui todos os indivíduos empregados e desempregados com idade mínima de 15 anos). Estão em causa cerca de 158 mil estrangeiros.

Esta evolução explica-se por via da imigração. Segundo o Boletim Económico do Banco de Portugal, quase metade dos imigrantes são estrangeiros e, destes, cerca de metade têm nacionalidade extra-União Europeia (com destaque para o Brasil). Dentro dos estrangeiros vindos de países da UE, há a enfatizar as nacionalidades de Itália e do Reino Unido, o que está ligado, em parte, ao Brexit.

O Banco de Portugal sublinha, além disso, que entre os estrangeiros que têm vindo para Portugal está a ser registada uma taxa de atividade superior à dos trabalhadores portugueses, em quatro pontos percentuais (p.p.). Em questão está o peso da população ativa sobre a população em idade ativa — este último grupo inclui também indivíduos inativos, como estudantes e reformados.

A grande maioria destes indivíduos encontra-se a trabalhar (cerca de 87% da população ativa estrangeira). É de notar que a taxa de atividade dos cidadãos estrangeiros residentes em Portugal é das mais elevadas na área do Euro, situando-se oito p.p acima da média”, lê-se no Boletim Económico.

Esta situação tem duas explicações, sublinha o BdP. Por um lado, a estrutura etária mais jovem da população estrangeira residente em Portugal. E, por outro, o nível superior de qualificações dos estrangeiros residentes em comparação com o dos nacionais.

“Entre 2011 e 2019, a percentagem de estrangeiros com ensino superior duplicou de 15% para 30% (de 17% para 26%, no caso dos nacionais)”, salienta o Banco de Portugal. Já entre os nacionais, o nível de escolaridade mais frequente (50%) é o ensino básico (nível que representa apenas uma fatia de 30% entre os estrangeiros).

Tudo somado, desde meados de 2018 que a população estrangeira tem vindo a contribuir para o rejuvenescimento da população ativa global portuguesa, contrariando o efeito de envelhecimento demográfico registado entre os nacionais. Além do Brexit, esse reforço dos fluxos migratórios é resultado da recuperação económica, dos incentivos fiscais e da perceção de Portugal como um país seguro.

Mas há desafios no horizonte. Portugal está numa posição intermédia em termos de indicadores de atratividade de talentos entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e, portanto, precisa, diz o Banco de Portugal, de reforçar as condições internas de competitividade para a atração e retenção em particular dos jovens em idade ativa.

“A recuperação dos fluxos migratórios de estrangeiros tem contribuído positivamente para a oferta de trabalho em Portugal no período mais recente. Pelas suas características — tipicamente mais jovem, com maior nível de escolaridade e maios taxa de atividade — a população estrangeira poderá também potenciar a dinâmica do mercado de trabalho nos anos vindouros“, remata o Banco de Portugal.

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