Euronext vai aliar-se a capital de risco para captar startups para a bolsa

O plano estratégico, para os próximos três anos, da empresa que detém a bolsa de Lisboa passa por apostar nas startups e na dívida verde. Nos novos serviços, a prioridade é o post-trade.

A Euronext está a trabalhar numa parceria com empresas de private equity e capital de risco para facilitar a entrada de startups na bolsa. Esta é uma das propostas do plano estratégico para os próximos três anos do grupo que gere a bolsa de Lisboa e que aposta ainda num novo segmento de dívida verde e na diversificação de serviços pós-negociação.

“Temos planeado lançar uma parceria com empresas de private equity e de capital de risco, incluindo em Portugal”, afirmou Isabel Ucha, presidente da Euronext Lisbon, num encontro esta segunda-feira em que explicou as implicações do plano para Portugal. O objetivo é “estabelecer uma plataforma onde empresas de private equity e capital de risco se vão juntar à Euronext com um quadro de cooperação que permita que mais saídas possam seguir o caminho do mercado de capitais“.

Ou seja, no momento em que os investidores privados querem sair do capital das startups, a possibilidade de abrir o capital em bolsa surge como uma opção. As bases da iniciativa serão a partilha de informação sobre a leitura do mercado para cada empresa e mercado, acrescentou Ucha sobre o projeto que ainda não tem data para avançar e que irá junta-se a outras iniciativas focadas nas startups, como é o caso do programa de formação para tecnológicas TechShare ou as equipas de angariação do Tech Hub.

“Depois temos uma área entre mercados públicos e privados, onde vamos explorar soluções que não estão obrigadas aos mercados regulados e que vai procurar soluções onde investidores e empresas se encontrem de forma mais simples e com menores custos”, acrescentou Isabel Ucha, apontando para uma realidade de mercado para empresas não cotadas que já existe na recém adquirida bolsa da Noruega.

Novo segmento de green bonds chega ainda este ano

Se startups e tecnológicas são o foco da Euronext no que diz respeito ao mercado acionista, é a sustentabilidade que é a prioridade na dívida. O grupo vai, em simultâneo, lançar este ano um novo segmento de mercado que pretende facilitar a emissão deste green bonds, ou seja ativos com determinados critérios e que pretende financiar projetos sustentáveis.

“Sentimentos que são preocupações que os emitentes têm na sua estratégia e os investidores estão a colocar no centro. Vamos lançar um segmento dedicado a green bonds ainda este ano. As green bonds vão ser separadas e vão ter requisitos definidos de acordo com standards internacionais com verificação externa”, explicou Ucha, acrescentando que o segmento será acompanhado de um programa de formação e de um guia de reporte de informação não financeira.

"Temos a perceção que este mercado [das green bonds] vai continuar a crescer de forma muito rápida porque há uma pressão muito grande dos investidores institucionais que têm necessidade de ter estes ativos em carteira. A perceção que temos é que vai haver uma aceleração muito grande.”

Isabel Ucha

Presidente da Euronext Lisboa

Atualmente, o grupo tem 180 emissões de green bonds cotadas, equivalentes a 60 mil milhões de euros e a 30% do total global deste ativo. Em Portugal, há apenas quatro emitentes: a EDP em maior volume e, em menor escala, a Sociedade Bioelétrica do Mondego e o Pestana. No entanto, a presidente da bolsa de Lisboa acredita que haverá mais emissões, até porque o mercado o obriga.

“Temos a perceção que este mercado vai continuar a crescer de forma muito rápida porque há uma pressão muito grande dos investidores institucionais que têm necessidade de ter estes ativos em carteira. A perceção que temos é que vai haver uma aceleração muito grande“, afirmou. “Quem vai convencer as empresas vão ser os investidores“, sublinhou, acrescentando que o mercado vai começar a penalizar, através das taxas de juro, quem não adotar estas soluções.

Para os investidores, a Euronext vai criar mais índices de sustentabilidade que respondam ao aumento do investimento passivo, sendo que, nos últimos dois anos, dois em cada três novos índices cumpriam já critérios de sustentabilidade.

Post-trade na mira das aquisições

O plano estratégico 2019-2022 define como objetivo que o grupo seja a “infraestrutura pan-europeia de mercado líder na Europa” e não apenas uma gestora de bolsas, tendo o post trade, clearing, liquidação e custódia de títulos ganho destaque para a empresa. Em Portugal, estas atividades já são feitas na Interbolsa (que está no centro tecnológico da Euronext no Porto), enquanto a Noruega tem uma central de liquidação e o grupo tem também três participações em empresas do setor.

A Euronext pretende agora expandir o modelo e continuar a diversificar serviços a cotadas, membros do mercado e investidores. Como? Consolidando estas atividades no Euronext CSD for Europe, mas também através de novas aquisições.

A intenção é pegar neste conjunto de ativos e desenvolver uma nova atividade. Esta área é muito fragmentada na Europa portanto haverá oportunidades de consolidação. É preciso encontrar soluções mais simples e mais baratas para esta área do negócio. A partir de uma base mais alargada, podemos desenvolver mais serviços durante o próximo ano”, afirmou Isabel Ucha.

Assim, a estratégia de fusões e aquisições que tem sido implementada com a compra de novas bolsas (incluindo, mais recentemente, a Irlanda e a Noruega) reforça a abrangência a estruturas complementares e empresas de diversificação de serviços.

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