Aumentos de comissões em 73% na CGD são uma “total fake news”, diz Paulo Macedo

  • Lusa
  • 16 Outubro 2019

"Muito pior do que ter uma Caixa que quer ser competitiva e que joga em termos de concorrência é ter uma Caixa que sistematicamente esteja a pedir dinheiro da parte dos contribuintes”, diz Macedo.

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, negou esta terça-feira que o banco tenha aumentado nos últimos tempos, em média, em 73% os custos para os clientes, considerando tratar-se de um “absurdo” e uma “total fake news”.

“Setenta e três por cento é aquilo que pode ser o caso de total ‘fake news’. A Caixa aumentou as suas comissões até agora entre 2 a 4% este ano. (…) O ano passado, se não me engano, a Caixa, em termos consolidados, aumentou as suas comissões 2% e, talvez, tenha aumentado um pouco mais em termos de Portugal”, disse.

Paulo Macedo, que falava aos jornalistas em Elvas, distrito de Portalegre, à margem da 2.ª edição do ciclo de “Encontros Fora da Caixa: Economia & Cultura”, promovido pela CGD, considerou um “absurdo” as notícias avançadas por vários órgãos de comunicação social sobre o aumento, em média, de 73% dos custos para os clientes durante um período temporal que coincide com a sua tomada de posse como presidente do banco público, há três anos.

“Para além de ser um total absurdo, alguém aumentar comissões para os clientes 73%, isso é totalmente desmentido”, sublinhou. Segundo Paulo Macedo, as comissões que as pessoas pagam “mantêm-se exatamente as mesmas no caso de mais de um milhão de pessoas” que estão isentas,

“Portanto, para mais de um milhão de pessoas que estão isentos, pura e simplesmente não há aumento nenhum, porque tinham zero continuam com zero”, frisou.

Paulo Macedo disse ainda que há pessoas que “estão a pagar mais”, porque a CGD “tem custos”, designadamente os seus trabalhadores que têm de ser remunerados. “O que acontece é que há dois tipos de precaução: por um lado que a Caixa continue a ser competitiva e seja um dos bancos que tem um serviço” que “cobra em condições aceitáveis e em condições que as pessoas queiram continuar” com a Caixa, declarou.

“Aliás, seria totalmente absurdo, porque se alguém cobrasse 73%, felizmente, há muita concorrência e, portanto, as outras pessoas iriam para outros bancos”, concretizou.

Por outro lado, segundo ainda o presidente executivo da CGD, existe “muita hipocrisia”, recordando que o Estado português concordou com a Direção-Geral da Concorrência de que neste período as comissões no banco público deveriam “aumentar 100 milhões de euros”.

“Ora não aconteceu nada disso, aconteceu muito menos”, garantiu, acrescentando que a CGD, “à semelhança dos outros bancos, tem de fazer um esforço de várias maneiras, através de um maior envolvimento com os seus clientes, através da colocação de mais produtos, mas também através de uma remuneração do trabalho dos seus trabalhadores que seja adequada”. “Tem de, de facto, ter uma rentabilidade que lhe permita ser sustentável”, defendeu.

“Penso que muito pior do que ter uma Caixa que quer ser competitiva e que joga em termos de concorrência é ter uma Caixa que sistematicamente esteja a pedir dinheiro da parte dos contribuintes”, adiantou Paulo Macedo, garantindo que a CGD “está a fazer exatamente o percurso inverso, está a tentar ser sustentável e está, em vez de querer mais dinheiro dos contribuintes, pagar dividendos e devolver esse dinheiro aos contribuintes”.

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