Fábrica 2030: Porto vai dar benefícios fiscais a empresas tecnológicas

  • Fátima Castro
  • 17 Outubro 2019

Presidente da câmara do Porto prepara benefícios fiscais a empresas tecnológicas. Novidades serão anunciadas em breve.

A câmara do Porto está a preparar uma política de benefícios fiscais para as empresas tech instaladas na cidade, anunciou esta manhã o presidente da autarquia, Rui Moreira, na Conferência Fábrica 2030, uma parceria que assinala o 3.º aniversário do ECO e o 30.º aniversário de Serralves. O autarca portuense sublinha a importância da dinâmica gerada por estas empresas na cidade e também no ecossistema e na modernização industrial do norte do país, e adiantou que já este ano vai dar benefícios fiscais a empresas tecnológicas tendo em conta “o sucesso assinalável de empresas nacionais e internacionais que têm apostado no Porto para sediar os seus centros de investigação”.

Na Fábrica 2030, Rui Moreira diz que a indústria portuguesa mudou e que o surgimento da robotização, da inteligência artificial e de outras tecnologias de ponta obrigou e obriga este setor a adaptar-se. O autarca alertou que, perante todas as transformações que a indústria está a sofrer, é necessário “enormes investimentos” para capacitar as empresas.

“Tradicionalmente as empresas portuguesas têm recorrido sempre a financiamento bancário para suprimir as suas necessidades de investimento e de capital. Nós temos estruturas de capital próprio nas empresas que é inferior àquilo que é desejável, principalmente no tempo que todas estas modificações na robótica vão exigir enormes investimentos”, evidencia o presidente da autarquia.

Moreira explica que, por parte do Estado, é esperado que se olhe para a questão do IRC e que se perceba qual é a necessidade de financiamento das empresa. “É necessário reequipar as empresas e, para isso, são necessários benefícios fiscais”.

Estudos citados pelo autarqua indicam que, até 2030, o norte do país vai conquistar 230 mil postos de trabalhos. No entanto, se nada se fizer, no mesmo período serão perdidos 420 mil postos de trabalho. “Estamos num tempo em que a automação, a robótica, a inteligência artificial está a introduzir-se na economia. Isto é uma transformação muito significativa e vai obrigar a que sejamos suficientemente elásticos e flexíveis para aquilo que é uma ameaça, mas que pode ser transformada numa oportunidade”.

O presidente da câmara municipal do Porto destacou a necessidade de os empresários requalificarem os seus recursos humanos para conseguirem responder aos desafios desta era de transformação. “O futuro vai ser muito desafiante, precisamos de tecnologia e de empresas tecnologias”, assinala, destacando que as empresas que não são tecnológicas vão ter que se adaptar e viver com estas novas tecnologias.

“Os empresários portugueses conseguiram resistir a uma crise terrível com extraordinária resiliência. E a uma crise que não foram eles que criaram, foi o Estado”.

Na sessão de boas-vindas da Fábrica 2030, Ana Pinho, presidente do conselho de administração da Fundação Serralves, destacou a importância de debater temas como o futuro da indústria, perspetivando o seu peso na economia, as implicações das novas tecnologias e da inteligência artificial, e o papel do Estado nesta transformação. “Serralves tem no seu ADN uma forte ligação entre o mundo cultural, académico, científico e empresarial. Refletir sobre os caminhos da indústria portuguesa e os desafios que vamos enfrentar na próxima década é, sem dúvida, um tema de grande importância e atualidade”, explica Ana Pinho.

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