Porto já é um hub tecnológico. E as empresas estão a contratar

O Porto está a transformar-se num hub tecnológico muito atrativo para grandes grupos estrangeiros. Estas empresas explicam o porquê.

Segundo estudos publicados pela InvestPorto, entre 2013 e 2018, o número de projetos de investimento direto estrangeiro no Porto e na região norte de Portugal aumentou 71%. A Xing, Critical Techworks, Blip, Vestas e Natixis são exemplos de empresas estrangeiras que escolheram o Porto e Matosinhos para instalarem os seus centros de investigação e desenvolvimento. O ECO foi à procura dos principais motivos que levaram estas empresas a escolher o norte do país.

Segundo os intervenientes, a cidade do Porto e a região do norte do país concentram uma série de características que transmitem confiança às empresas estrangeiras para desenvolver soluções inovadoras nesta região do país. Talento na área das tecnologias, universidades de topo, uma cultura de responsabilidade, qualidade de vida, segurança e um bom clima, são algumas das características destacadas.

Portugal, incluindo o Porto e a região Norte, têm um ótimo ambiente para as empresas multinacionais e internacionais se instalarem aqui.

Telmo Fernandes

Diretor de Recursos Humanos da Natixis em Portugal

A Vestas, empresa dinamarquesa fornecedora de aerogeradores para parques eólicos, escolheu a cidade do Porto, em 2017, para instalar o seu centro de Investigação e Desenvolvimento. Até 2021 o investimento deve rondar entre os cinco e os dez milhões de euros.

“Num universo de 99 cidades candidatas de vários países, a escolha recaiu em Portugal e mais especificamente na cidade do Porto”, refere Jorge Magalhães, sénior vice-presidente da Vestas. Até à data a empresa já contratou cerca de 300 engenheiros de várias áreas, nomeadamente de engenharia mecânica, eletrotécnica, engenharia informática, eletrónica e Big Data.

Diretamente de Paris para o Porto, a Natixis, divisão internacional do segundo maior grupo bancário em França, é outro dos exemplos de uma empresa que escolheu a cidade do Porto, para instalar o seu Centro de Excelência em IT, em 2016.

Já a Blip nasceu na cidade do Porto em 2009 e em 2016 foi feito um investimento de 2,5 milhões de euros na criação do seu centro de produção tecnológica, sediado no Bonfim, com uma área total superior a cinco mil metros quadrados. A empresa de tecnologia é detida pelo Paddy Power Betfair, grupo cotado no London Stock Exchange, e conquistou em 2017 o primeiro lugar no ranking das 100 Melhores Empresas para Trabalhar em Portugal.

Para o Head of Sportsbook da Blip, Hélder Costa, “a qualidade dos recursos humanos, a quantidade e qualidade das Universidades e Institutos Superiores, o nível elevado do inglês, uma boa rede de transportes que inclui um dos melhores aeroportos da Europa e facto do Porto ter sido eleito nos últimos anos por três vezes como o Melhor Destino Turístico Europeu são razões mais que suficientes para a Blip ter escolhido o Porto”, refere.

O Porto recebeu o galardão de The Best Start-up Friendly City of Europe, o ano passado. O que significa que é a cidade europeia mais amiga das startups.

Hélder Costa

Head of Sportsbook da Blip

À semelhança da Blip, a Critical Techworks também nasceu no Porto, em 2018. É uma joint venture entre a Critical Software e a BMW, começou com 100 colaboradores e em apenas um ano quintuplicou o número. Hoje emprega cerca de 550 pessoas, um número que pretende ver duplicado até 2020.

A Xing, principal rede social para contactos profissionais em países de língua alemã, escolheu Matosinhos para abrir o seu primeiro escritório em Portugal em 2018 e já tem o negócio fechado para a abertura de um segundo. “O negócio já está fechado e a construção começará nos próximos meses, para que o possamos ocupar em janeiro do próximo ano”, diz a empresa. O atual escritório da Xing conta com cerca de 1.200 metros quadrados e emprega cerca de 130 pessoas.

À semelhança da Xing, a CriticalTechworks, para fazer jus ao ao crescimento, já adquiriu umas novas instalações, com uma área total de dez mil metros quadrados, em pleno coração do Porto, mais concretamente no Edifício dos Correios, na Avenida dos Aliados. Segundo o CEO da Critical Techworks “está previsto que toda a equipa se mude no inicio do próximo ano”.

Rui Cordeiro, CEO da Critical Techworks, destaca que “o Porto enquanto polo de inovação tecnológica tem vindo a crescer nos últimos anos e é consequência da crescente capacidade empreendedora nacional e da entrada de cada vez mais empresas e capital estrangeiro”. A Critical Techworks tem escritório em Lisboa mas é na cidade do Porto que está localizada a sua sede.

É atrativo para o talento estrangeiro vir trabalhar para um país com as características de Portugal: talento, segurança, acolhimento, excelente clima, proximidade com outras cidades dentro e fora do país, qualidade dos serviços, entre outros.

Rui Cordeiro

CEO da Critical TechWorks

Para além de todos os motivos enumerados, Rui Cordeiro destaca que a “proximidade do aeroporto e a ponte aérea direta entre o Porto e Munique, a cidade onde está sediada a BMW, é essencial para o nosso negócio, pois promovemos muitos pontos de contacto entre as equipas de desenvolvimento de projetos e as equipas da marca”.

As empresas de tecnologia mencionadas já contrataram milhares de pessoas na região norte mas prometem não ficam por aqui.

Estas empresas vão aumentar o número de colaboradores

Desde 2014, o número de empresas localizadas no Porto aumentou em 52%, segundo um suplemento do The Financial Times. Aliado à criação destas empresas na região Norte está a contratação de recursos humanos. Empresas como a Xing, Critical Techworks, Blip, Vestas e Natixis já contrataram mais de 1.900 pessoas desde que se instalaram no Norte do país e prometem não ficar por aqui.

O CEO da Critical Techworks revelou que “até ao final de 2020 contamos ter uma equipa de mais de mil pessoas”, sobretudo na área de software developers. A previsão é que a Critical Techworks termine o ano com 600 trabalhadores contratados.

A Blip conta com 280 colaboradores e pretende contratar mais 60 até ao final deste ano. As vagas serão na área de FrontEnd developers, BackEnddevelopers, iOS developers, Delivery Managers e ProductOwners, revela Hélder Costa, Head of Sportsbook.

A Natixis já contratou mais de 650 pessoas desde que chegou ao Porto em 2016 e não vai parar por aqui. Segundo Nathalie Risacher, sénior manager da Natixis Portugal, o objetivo é contratar mais 50 colaboradores até ao final deste ano. Procura essencialmente perfis nas áreas de de desenvolvimento, análise de negócio, business intelligence, controlo de qualidade/teste de software e também para áreas de infraestrutura e segurança.

A Xing conta conta com uma equipa mais reduzida mas um volume de negócio significativo: 235 milhões de euros. Considera já bi-unicórnia, a Xing conta atualmente com cerca de 130 colaboradores mas pretendem contratar mais 70 pessoas dentro de um ano. Miguel Garcia destaca que as vagas serão direcionadas para a área de tecnologia e engenharia. Revela que “especialistas em UserExperience/Design Experience e ProductOwners serão também perfis que poderão ser alvo de recrutamento num futuro próximo”.

A qualidade do talento português é um dos fatores

A qualidade dos recursos humanos é um dos principais fatores que atraem as empresas estrangeiras a Portugal e ao norte do país. Miguel Garcia, diretor da Xing, destaca a “qualidade técnica dos profissionais, as competências comunicacionais, a postura profissional e comprometimento das pessoas faz com que sejam locais de eleição para as empresas internacionais que procuram excelência e qualidade”.

O CEO da Critical Techworks, Rui Cordeiro, afirma que para além da qualidade, “há talento disponível para as empresas tecnológicas”. Acrescenta que este talento é português e que “não se pode dissociar a cidade do país e destaca que Portugal tem estado sob o olhar atento do mundo enquanto se está a tornar num dos principais centros tecnológicos da Europa”, refere.

“Portugal tem um ótimo ambiente para empresas multinacionais e internacionais”, refere Telmo Fernandes, diretor de recursos humanos da Natixis. Sem esquecer a geografia, o talento, as infraestruturas e as universidades de topo, conclui.

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António Costa

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