A gestão do território e da floresta que vem do espaço

  • Filipe S. Fernandes
  • 21 Outubro 2019

As imagens de satélite tornam-se “ferramentas"poderosas e indispensáveis, para o apoio à decisão nos desafios de âmbito territorial como a instalação e gestão das redes de defesa de floresta.

A ideia começou pelo uso das imagens por satélite para as redes de defesa da floresta porque dão uma visão pormenorizada, alargada, com uma frequência diária, sobre qualquer área à superfície do globo, além disso, são acessíveis, gratuitas. Por exemplo, as imagens dos sensores Sentinel da Agencia Espacial Europeia (ESA), e os dados podem ser cada vez mais facilmente explorados através de software livre e de uso amigável.

As imagens de satélite tornam-se em “ferramentas poderosas, ímpares e indispensáveis, para o apoio à decisão nos mais variados desafios de âmbito territorial, e em particular no caso da instalação e gestão das redes de defesa de floresta, que é vasta, com implementação por todo o território português, sofrendo variadas pressões, naturais e humanas, como o crescimento espontâneo da vegetação até à ocupação por construções ilegais”, referem Nuno Pinho da Silva, investigador no R&D Nester – Centro de Investigação em Energia REN-State Grid, e António Araújo, gestor de projetos da GMV.

As imagens de satélite possibilitam uma caracterização regular das faixas de servidão, contribuindo com informação just-in-time para a avaliação das pressões a que as faixas estão sujeitas e consequentes operações de mitigação. Para as entidades responsáveis pela monitorização das operações de beneficiação e instalação das faixas, acresce que as imagens de satélite permitem o controlo remoto e automático, bem como a obtenção de evidências visuais com geolocalização, destas atividades.

Como estas imagens têm informação que não é visível a olho nu podem recolher informação sobre a ocupação e uso do solo, biomassa, quantidade de água presente na vegetação, temperatura à superfície do solo, entre outras variáveis fundamentais para, por exemplo, verificar o estado de limpeza das faixas de proteção, definir novos troços de rede, monitorizar o risco de incêndios florestais bem como da sua propagação.

O que é o projeto

O projeto RESUCI – Space-based services for REsilient and SUstainable Critical Infrastructures, é uma parceria entre a GMV e o R&D Nester – Centro de Investigação em Energia REN-State Grid, que conta com o apoio da REN desde a fase de conceção e planeamento das atividades do projeto, pelo potencial impacto nas áreas de gestão de ativos e de gestão de servidões.

A GMV já tinha desenvolvido investigação promissora sobre utilização de imagens de satélite para a gestão de faixas de proteção em redes lineares. Por sua vez, a R&D Nester conhece de forma próxima a problemática da gestão de faixas de proteção.

Este projeto resultou de uma candidatura ao programa ARTES Integrated Applications Promotion da ESA, onde se procura transformar atividades de I+D que utilizem tecnologias espaciais (observação da terra, navegação por satélite, comunicação por satélite, etc.) em produtos comerciais e depois na sua implementação contou com o apoio da REN e do ICNF.

Foi executado um piloto onde se desenvolveram os serviços propostos, sobre faixas de proteção, numa área de 100 km2 e durante cerca de um ano. Os resultados foram confrontados com dados disponibilizados pelas entidades que suportam este projeto, em particular ajudando a definir os requisitos para os serviços.

Neste sentido, foram avaliados três serviços tendo-se em dois casos registado a viabilidade técnica. Foram o serviço para a monitorização das faixas, com vista a deteção de atividade e obstáculos, e o serviço de gestão e controlo de operações de manutenção das faixas. “Do ponto da viabilidade comercial os resultados são promissores”, referem Nuno Pinho da Silva, que é investigador no R&D Nester – Centro de Investigação em Energia REN-State Grid, onde desempenha as funções de investigador principal em projetos nas áreas de mercados de energia, gestão da energia e redes inteligentes, e António Araújo, que é gestor de projetos e responsável por uma equipa de 18 pessoas que trabalham no departamento de processadores e aplicações de dados de satélite da GMV em Lisboa.

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