Paulo Maló sai do grupo no fim do mês. Novos donos não temem concorrência

O fundador da Maló Clinic vai deixar o grupo no final de outubro e sem deixar preocupados os novos donos. "Vivemos bem com a concorrência", dizem os administradores.

Já era conhecido que o fundador da Maló Clinic iria abandonar o grupo, mas a data da sua saída foi agora confirmada pelos novos donos. Paulo Maló deixará oficialmente a empresa no final deste mês. Confrontada com uma possível concorrência nos mercados internacionais, a Atena Equity Partners desvaloriza. Está confiante no crescimento do negócio, suportado pelo novo investimento, isto depois de um PER que aconteceu antes que “fosse tarde demais”.

“Paulo Maló não vai seguir connosco. Sai no fim deste mês”, anunciou esta terça-feira João Rodrigo Santos, presidente do conselho de administração da Malóc Clinic e partner da Atena, num encontro com jornalistas. Para o médico dentário, Paulo Maló “passava muito pouco tempo em Portugal nos últimos anos” e “tem obrigações internacionais que pouco têm a ver com a Maló Clinic”.

Além disso, explicou, o fundador do grupo de medicina dentária tratou menos de 0,5% dos cerca de 27.000 clientes que passaram pela Maló Clinic no ano passado. “Esta é a realidade do ponto de vista dos pacientes”, disse.

Questionado pelos jornalistas se a Atena teme uma possível concorrência de Paulo Maló no mercado internacional, João Rodrigo Santos não se mostrou preocupado. “Temos concorrência há anos. A própria Maló forma potenciais concorrentes. A nossa filosofia nunca foi de combater, vivemos bem com a concorrência. É bom e faz-nos ser melhores”, sublinhou.

Falando sobre o Processo Especial de Revitalização (PER) no qual a Maló Clinic está inserida, devido à dívida de quase 30 milhões de euros que tem junto de vários credores, João Rodrigo Santos referiu que “toda esta dívida acumulada se deve a um processo de internacionalização que não foi bem conseguido”.

Acrescentou ainda que o PER foi sugerido, entre outros, pelo Novo Banco — um dos credores –, e que, segundo a instituição bancária, foi a melhor alternativa. “A Maló estava a ser atacada por vários credores internacionais. Enquanto aqui [Portugal] ainda se consegue discutir com os credores nacionais para tentar uma solução mais suave, os credores internacionais estavam pura e simplesmente a ameaçar. Mais cedo ou mais tarde haveria necessidade de proteger a empresa e fazer um PER. Acreditámos que era melhor protegê-la desde logo antes que fosse tarde demais“.

Os novos donos da Maló Clinic têm em curso um plano de investimento de quatro milhões de euros, mas disponíveis estão outros 15 milhões, anunciaram esta terça-feira os administradores.

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