Jerónimo diz que aumento do salário mínimo para 750 euros “é insuficiente”

  • Lusa
  • 26 Outubro 2019

Jerónimo de Sousa garantiu que, da parte do PCP, os militantes podem contar com “uma intervenção que honrará os compromissos assumidos”.

O secretário-geral do PCP afirmou este sábado que “é insuficiente” a meta do primeiro-ministro, António Costa, de aumentar o salário mínimo para 750 euros, em 2023, e prometeu que o partido estará sempre no “combate por novos avanços”.

“Ouvimos António Costa defender a meta de 750 euros para o ano de 2023, mas nós continuamos a dizer que é insuficiente e isso vê-se na nossa proposta de 850 euros. Vamos continuar a nossa luta”, afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista falava num comício no salão dos bombeiros do Seixal, no distrito de Setúbal, onde criticou a meta assumida hoje por António Costa para o novo Governo e reafirmou a “emergência nacional que constitui o aumento geral dos salários para todos os trabalhadores”.

Nesta intervenção, Jerónimo de Sousa lembrou que hoje há “uma situação política diferente daquela que se apresentava há quatro anos”, com a tomada de posse do Governo minoritário do PS.

Ainda assim, frisou que “a estabilidade política garante-se dando resposta aos problemas nacionais” e que, se o PS tivesse obtido maioria absoluta, “ela não seria um fator de estabilidade, mas sim instabilidade para a vida, os direitos e rendimentos do povo português”.

Da parte do PCP, garantiu que os militantes podem contar com “uma intervenção que honrará os compromissos assumidos” e que estará “na linha da frente do combate por novos avanços”.

“Foi com essa perspetiva que ontem [sexta-feira], no primeiro dia de funcionamento da Assembleia da República, o grupo parlamentar do PCP fez entrar um conjunto de iniciativas legislativas que correspondem aos compromissos assumidos na campanha eleitoral, bem como a medidas urgentes que visam a resposta a problemas imediatos”, indicou.

Além do aumento do salário mínimo, o líder comunista defendeu que é preciso um maior investimento Serviço Nacional de Saúde, na educação e na cultura, três setores que “o Governo PS, nestes últimos quatro anos, tem recusado”.

“Todos nós sabemos que o subfinanciamento crónico do Serviço Nacional de Saúde e a parasitação dos dinheiros públicos pelos grupos privados têm conduzido à degradação dos serviços e ao seu encerramento e transferência, como tem vindo a acontecer com a urgência do Hospital Garcia de Orta, em Almada”, frisou.

Além disso, para Jerónimo de Sousa, a “falta de profissionais, particularmente médicos, também é a grande responsável pelo facto de mais de 600.000 portugueses continuarem sem médico de família”, como é o caso do Seixal e Almada, onde “mais de 30.000 utentes” não têm este serviço.

Já na educação, o secretário-geral do PCP, considerou que “os factos desmentem a afirmação do Governo” de que o início do ano letivo se caracteriza pela normalidade, uma vez que “faltam milhares de auxiliares, muitas centenas de horários continuam por preencher e muitos alunos continuam sem aulas”.

Na visão do líder comunista, também “falta investimento no apoio às artes”, o que é visível pela “insatisfação dos homens e mulheres da cultura”.

Inicia-se uma nova legislatura, em que o PCP não conseguiu afastar a política de direita, mas Jerónimo de Sousa garantiu que o partido “cá estará colocando como necessária a concretização da alternativa patriótica e de esquerda que um governo PS não assegura”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Jerónimo diz que aumento do salário mínimo para 750 euros “é insuficiente”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião