Salário mínimo deve continuar a subir, mas “não em saltos abruptos”, defende António Saraiva

O presidente da CIP aceita uma subida do salário mínimo mas rejeita que esta não tenha em conta a evolução do crescimento e da produtividade.

O presidente da CIP aceita uma subida do Salário Mínimo Nacional (SMN) dos atuais 600 euros para 700 euros na nova legislatura, mas rejeita que haja aumentos “abruptos”. António Saraiva pede moderação e diz que Portugal tem de olhar para os países que crescem 4%.

O salário mínimo deve continuar a crescer mas “não em saltos abruptos”, disse Saraiva em declarações à RTP3 à margem da conferência que a CIP organiza esta terça-feira. O patrão dos patrões defende que este progresso seja feito através de “saltos evolutivos anuais” que tenham em conta indicadores como o crescimento económico e a evolução da produtividade.

No fim de semana, o líder da CIP tinha considerado “perfeitamente razoável” uma subida do salário mínimo de 600 para 700 euros.

O valor que for encontrado em sede de concertação social — que já está a dialogar com o primeiro-ministro indigitado um acordo alargado que inclua política de rendimentos — será uma “referência”. No entanto, Saraiva lembra que as empresas que tenham melhores condições podem pagar acima, como já acontece agora, sublinha.

No entanto, avisa que para que haja mais salários e um combate às desigualdades é necessário que haja crescimento. E aí Portugal não deve olhar para a média europeia, mas sim para os países que estão a crescer à volta de 4%, dando como exemplos os casos da Irlanda, Hungria e Polónia.

Questionado sobre se acredita nas previsões do Governo para o crescimento económico, que anda à volta de 2% na próxima legislatura, Saraiva sinalizou que as metas não lhe oferecem dúvidas, mas que significam pouco para os objetivos de Portugal. “Mário Centeno não nos ia mentir”, disse, acrescentando, porém, que “não nos podemos comparar com a média europeia”.

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