Business Transformation Summit: como inovar e liderar à velocidade do presente?

Disrupção, comunicação e vontade de arriscar são algumas das armas para liderar e inovar na era da velocidade. O 4.º Business Transformation Summit decorreu no Lx Factory e já tem planos para 2020.

Qual a melhor estratégia para prosperar e inovar num mundo em constante aceleração? Recuemos alguns milhões de anos até à época dos homens caçadores, nómadas e curiosos, insaciáveis e dispostos a tudo para conseguir alimento. Segundo Jeremy Gutsche, o orador canadiano que abriu as hostes da 4.ª edição do Business Transformation Summit, estes são os traços de personalidade que permitem ter sucesso e inovar na era de aceleração.

Hoje estamos mais dependentes de decisões do passado”, sublinha Gutsche. “Numa era de caos, o trabalho árduo não é suficiente. É preciso entender como acontece a oportunidade”, explica o fundador da Trendhunter.com, uma plataforma para partilhar ideias, que podem vir a transformar-se em grandes negócios.

Acceleration” foi o tema que conduziu a 4.ª edição do Business Transformation Summit, que decorreu esta quinta-feira no hub criativo do Lx Factory.

Estar atento à oportunidade

Numa era de velocidade em que nem sempre é possível acreditar que uma boa ideia pode prosperar, é importante estar atento às oportunidades escondidas. “As oportunidades começam de forma subtil e estranha”, alerta Jeremy. Assim, para inovar é necessário “assumir o erro, ser mais aberto a novas ideias, encorajar o desacordo, estudar as novas tendências e aceitar e abraçar a diversidade”, sublinha. “O outro lado de uma era de mudança é que as oportunidades começam a surgir de toda a parte”, reforça.

Com a idade, defende o empreendedor, a inteligência aumenta mas a criatividade pura diminui. Por isso, como reconverter o cérebro para ser capaz de identificar novas oportunidades de forma proativa? Nas organizações, é preciso juntar equipas, pedir novas ideias, promover hóbis criativos, estar a par das tendências do mercado e incentivar a realização de workshops.

Para os líderes, Gutsche deixa um conselho final: “Não estamos numa era que mudou com a tecnologia, estamos numa era de permanente mudança acelerada e isso é muito diferente. Significa um estado de caos constante, onde o objetivo é alcançar uma adaptação permanente”. “Sê insaciável. Os concorrentes são mais preguiçosos do que pensas”, remata.

Durante a manhã, decorreram em simultâneo quatro acceleration workshops, com Sophie Devonshire, Gary T. Judd, Jack Korsten, Maria João Ceitil e Bruno Horta Soares.

Empresas “à prova do futuro”

Jack Korsten, especialista em estratégia e aceleração de negócios e autor do bestseller “De Groeispiraal”, colocou as organizações “à prova do futuro”, através de um teste com sete passos, fazendo uma analogia com a preparação de uma “missão à lua”.

Para permitir que o negócio possa crescer e acelerar, é preciso dar resposta a sete questões: “Qual o sonho da sua empresa?”, “se houvesse alguma coisa que a sua empresa pudesse alcançar nos próximos 12 meses, o que seria?”, “quais as etapas a ultrapassar para alcançar um objetivo?”; “o que acontece se não mudar nada na sua forma de trabalhar?”, “que decisões inovadoras é preciso tomar?”, “quais os os fatores de aceleração e desaceleração no processo”, e, por fim, “o que posso deixar para trás?”.

Como se constrói (e mantém) um unicórnio?

Para fechar o dia de aceleração, as empresas portuguesas Talkdesk e Outsystems subiram ao palco principal para explicar como se constrói um unicórnio. “Mover depressa, correr riscos, aprender e compreender a direção do mercado. Podes errar, mas é preciso aprender todos os dias”, afirma Marco Costa, general manager da Talkdesk.

Rodrigo Coutinho, cofundador da Outsystems, conta que o objetivo inicial da empresa era “construir algo que mudasse o mundo”. Para se alcançar o estatuto de unicórnio (empresa avaliada em mais de milhões de euros), é necessário “perseverança”, e para continuar é fundamental “manter a visão”. Rodrigo Coutinho acredita que em Portugal há ainda “algum medo de falhar”.

Para Sophie Devonshire, um unicórnio deve saber marcar o ritmo e mantê-lo, nunca esquecendo o seu verdadeiro propósito. Sobre o ecossistema de startups português, a empreendedora britânica tem uma visão otimista. “Há algo na cultura que me faz sentir otimista relativamente ao número de unicórnios que iremos ver surgir nos próximos anos”, sublinha.

O transumanista Zoltan Istvan tem desenvolvido as suas ideias em Sillicon Valley e defende que o desenvolvimento de mais unicórnios dependerá de investimento, através de “bilionários que deem dinheiro a estas ideias, sabendo que uma grande parte pode falhar, mas uma delas poderá tornar-se um unicórnio”.

Os unicórnios “tratam por tu” a velocidade, por isso um dos desafios do futuro é manter a mentalidade com que começaram a empresa no primeiro dia. Ter ambição e objetivos definidos, uma estrutura de comunicação consolidada e estarem atentos às novas tecnologias, podem ser algumas das formas de garantir a “frescura” de uma startup.

2020: passar da eficácia para a grandeza

“Foi um dia, a todos os níveis, absolutamente compensador”, garante Ricardo Martins, diretor-geral da CEGOC. “Greatness” será o tema do Business Transformation Summit 2020, que quer ajudar a entender “como se passa da eficácia para a grandeza. O objetivo é fazer a capacitação da grandeza em grande escala nas organizações em Portugal, não só ponto de vista organizacional e das empresas, mas também do ponto de vista das pessoas”, revela Ricardo Martins.

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