“Irei manter todas as minhas funções, a mensagem irá ser compreendida”, garante Joacine Katar Moreira

  • Lusa
  • 5 Novembro 2019

"Não podem exigir que deixe de gaguejar de uma hora para outra com o objetivo de acalmar os espíritos mais revoltosos e que têm imensa dificuldade em relacionar-se com igualdade", diz a deputada.

A deputada única do partido Livre, Joacine Katar Moreira, assegurou esta terça-feira que vai manter-se em funções como deputada e que “a mensagem irá ser compreendida”, apesar das apreciações negativas às suas primeiras prestações no Parlamento devido à profunda gaguez.

“Irei manter, naturalmente, todas as minhas funções, participar na Assembleia da República, da maneira que eu necessito. Independentemente de gaguejar ou não, a mensagem irá ser uma mensagem compreendida”, salientou, em declarações à agência Lusa.

Irei manter, naturalmente, todas as minhas funções, participar na Assembleia da República, da maneira que eu necessito. Independentemente de gaguejar ou não, a mensagem irá ser uma mensagem compreendida.

Joacine Katar Moreira

Deputada do Livre

Sobre a primeira semana de trabalho regular no Palácio de São Bento, a ativista descreveu-a como uma “semana de adaptação, um tempo de conhecer o regimento” e de instalação do seu gabinete.

“É óbvio que irei cumprir e corresponder a todas as necessidades e exigências que qualquer deputado nacional tem ali. Mas, é óbvio, que ninguém pode exigir que, de repente, passe a explicar-me com objetividade para satisfazer o incómodo que origino a alguns. Da mesma maneira, não podem exigir que deixe de gaguejar de uma hora para outra com o objetivo de acalmar os espíritos mais revoltosos e que têm imensa dificuldade em relacionar-se com igualdade”, defendeu.

Não podem exigir que deixe de gaguejar de uma hora para outra com o objetivo de acalmar os espíritos mais revoltosos e que têm imensa dificuldade em relacionar-se com igualdade.

Joacine Katar Moreira

Deputada do Livre

Os primeiros dias no Parlamento tem sido também ocupados a elaborar a primeira iniciativa legislativa do partido que tem como símbolo uma papoila: um projeto de lei para dar honras de Panteão Nacional ao antigo cônsul português em Bordéus Aristides de Sousa Mendes, o qual, durante a Segunda Guerra Mundial, desobedeceu ao então chefe do Governo, Oliveira Salazar, e deu milhares de vistos de entrada em Portugal a refugiados, sobretudo judeus que fugiam da Alemanha nazi.

“Obviamente que sou uma deputada eleita pelos portugueses e, naturalmente, todas as pessoas que, na altura, resolveram votar no meu partido sabiam exatamente que, caso eu fosse eleita, eu era uma mulher e gaguejaria. Acho de uma ironia enorme perguntarem-me hoje se faço intenção ou não de manter as minhas intervenções na Assembleia da República pelo facto de eu gaguejar”, disse ainda Joacine Moreira.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

“Irei manter todas as minhas funções, a mensagem irá ser compreendida”, garante Joacine Katar Moreira

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião