Na mesa do recrutador: Mariana Canto e Castro, da Randstad

Estudou Direito, passou pelo setor privado e pelo público e, há cinco anos, trocou o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social para abraçar a gestão das pessoas da Randstad.

No caderno em cima da mesa há um arco-íris em construção. Mariana “pinta” de separadores coloridos as suas prioridades e o que tem para fazer. “A verde, o que tenho de conversar com o CEO. A amarelo, o essencial que tem de ser falado com a equipa. E a cor de rosa, ideias minhas”, explica.

Mariana Canto e Castro, 51 anos, estudou Direito, passou pelo setor privado e pelo público e, há cinco anos, trocou o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, onde trabalhava a área de recursos humanos e de legal, para abraçar a gestão das pessoas da Randstad. E isso inclui dois pacotes: as 420 que fazem parte da estrutura da recrutadora; e as 25 mil que integram o universo dos seus clientes.

Entre as suas funções favoritas nessa tarefa estão a criatividade e a inovação, explica à Pessoas. “Podemos sempre introduzir estes dois elementos no contacto com as pessoas. Posso pensar em fazer as coisas de maneira diferente, por isso é que ando sempre com livros e revistas e a tentar encontrar novas formas. É uma área muito mais criativa do que a área legal, que é necessária mas boring”, acrescenta.

Na mesa do recrutador com Mariana Canto e Castro, diretora de RH da Randstad - 11SET19

Na prática do dia-a-dia, Mariana fala no desafio de fazer com que a cultura de inovação de que a empresa tanto fala passe a fazer parte da cultura e da atitude de todos e de cada um dos seus trabalhadores. “E até me atreveria a dizer, apesar de isto ser um cliché, do ADN das pessoas”, defende. Tentar mudar processos do dia para a noite – e considerar isso um normal – é tarefa difícil mas, mais complicado ainda é ter uma forma tão flexível de trabalhar que transforme esses processos em “simples” e “normais”. “As pessoas questionam muito, desconfiam sempre, são muito avessas à mudança. E em Portugal é cultura”, diz.

E isso aplica-se, tanto nas regras que a Randstad aplica internamente, “às nossas pessoas”, como àquelas que tenta explicar e fazer entender aos seus clientes e parceiros. “Cliente satisfeito, vida feliz. Mas isso não significa que se diga amen a tudo. Há muitas empresas no nosso país que não têm práticas minimamente aceitáveis. A grande batalha é fazer com que as nossas pessoas que, pessoalmente, também acreditam nisso, consigam passar a imagem e esses valores e convicções, enquanto profissionais, aos clientes. O desafio é saber dizer que não, explicando e mostrando as vantagens de ver as coisas noutra perspetiva”, descreve.

As pessoas questionam muito, desconfiam sempre, são muito avessas à mudança. E em Portugal é cultura.

Mariana Canto e Castro

Porque mudar cultura é tudo menos simples, Mariana acredita que estas alterações fazem-se de uma mistura de tudo: “escolha, imersão naquilo que queremos que seja a cultura da empresa, e alguma formação, sem dúvida”. “Acima de tudo tem de haver uma predisposição porque podemos dar toda a formação que quisermos mas, se as pessoas não tiverem vontade de aprender, de mudar ou de ver diferente, vão continuar a ver exatamente da mesma forma”. E isso inclui estar atento ao ambiente e aos verdadeiros influencers, dentro das organizações.

“Não há nada que estrague tanto o que tentamos fazer como a máquina do café”, brinca. E explica: “Quando a pessoa chega toda contente depois de uma formação, a equipa vai tirar café e pode haver alguém que diz logo: ‘ahhh, enganaram-te com essa’. A máquina de café destrói sonhos, destrói motivação, destrói tudo”, sublinha a responsável.

Na mesa do recrutador com Mariana Canto e Castro, diretora de RH da Randstad - 11SET19

Portátil

Um dia, numa reunião durante o almoço, Mariana Canto e Castro deu por ela a escolher o restaurante pela qualidade da rede wi-fi. “Hoje ninguém vive sem isto”, conta, sobre o seu fiel companheiro de aventura. Com a vida toda dividida entre o computador e os telefones, Mariana não dispensa este facilitador de tarefas.

Telefones (sim, são dois)

“Não vivo sem os telefones – pessoal e profissional – e faço questão de dividir”, explica Mariana Canto e Castro. O do trabalho é, fora das horas, relegado para segundo plano. O pessoal está sempre. E as chamadas das filhas nunca ficam sem ser atendidas.

Papel, papel e… papel

Mariana assume a paixão pelo digital mas assegura que a sua formação em Direito nunca permitiu renunciar ao fascínio pelo analógico. “Anoto tudo no computador mas acho que as minhas ideias fluem com maior facilidade quando as escrevo”. Por isso, nunca dispensa um caderno, uma agenda em papel e uma caneta. Sempre acompanhados de post-it e separadores, estrategicamente coloridos por ordem de prioridades.

Chá

Na mesa da gestora de pessoas nunca falta chá. “Adoro café mas não posso beber porque me faz mal. Encontrei este vício, bebo litros e litros de chá frio no verão, e quente no inverno”.

Revistas e livros

“Outra parte do papel são livros e revistas onde procuro manter-me a par daquilo que vai acontecendo”, esclarece Mariana Canto e Castro. No processo, sublinha coisas importantes. Uma das últimas leituras, “Masterclass in creative thinking”, foi comprada em massa para oferecer aos membros da sua equipa. Uma forma de escalar a criatividades que procura todos os dias.

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