Antigo presidente da Fed Paul Volcker morre aos 92 anos

Ajudou Obama a criar regulação que impedia bancos comerciais de investirem em ativos de elevado risco. Volcker Rule é odiado em Wall Street.

Paul Volcker, antigo presidente da Reserva Federal (Fed) norte-americana e um dos pais da regulação financeira pós-crise dos Estados Unidos, morreu este domingo, em Nova Iorque. A notícia foi confirmada pela filha do norte-americano, Janice Zima, ao New York Times. Volcker tinha 92 anos.

Nascido em setembro de 1927, em New Jersey, o economista entrou pela primeira vez na Fed aos 25 anos. Na altura, integrou a divisão de Nova Iorque como economista, um cargo que viria a deixar por outro no Chase Manhattan Bank. Volcker chegou, em 1962, a Washington numa América pós-guerra.

Volcker trabalhou no departamento do Tesouro dos EUA nos mandatos dos presidentes John F. Kennedy, Lyndon B. Johnson e Richard Nixon. Após deixar o Tesouro, e de um ano dedicado aos estudos académicos, Volcker voltou à Fed de Nova Iorque em 1975 para ocupar a posição de presidente divisão, que apenas viria a abandonar para se tornar presidente de toda Fed, em 1979.

O combate à inflação galopante, enquanto representante máximo da política monetária dos EUA, foi um dos maiores feitos de Volcker e que o tornou um dos mais reconhecidos economistas do seu tempo.

Nixon tinha posto fim ao standard do ouro em 1973, levando o valor do dólar a afundar. As importações dispararam de valor e levaram consigo a inflação. Para combater uma inflação anual de 10%, Volcker duplicou a taxa de juro de referência para 20% em março de 1980. A decisão ousada ficou conhecida por Volcker Shock… e resultou.

"Estou profundamente entristecido com a morte de Paul Volcker. Ele acreditava que não havia maior chamamento do que o serviço público. A sua vida exemplificou ideias com a mais elevada integridade, coragem e dedicação a fazer o que era melhor para todos os americanos. As suas contribuições para a nação deixam um longo legado.”

Jerome Powell

Atual presidente da Fed

A inflação desacelerou e Volcker ficaria na liderança da Fed até 1987. Ao longo do mandato tentou igualmente limitar a desregulação financeira e deixou avisos sobre o impacto do rápido crescimento da dívida pública para a saúde da economia norte-americana. Ainda criou aquela que é, ainda hoje, uma das maiores conferências de política monetária do mundo: Jackson Hole.

“Estou profundamente entristecido com a morte de Paul Volcker”, disse o atual presidente da Fed, Jerome Powell, em comunicado. “Ele acreditava que não havia maior chamamento do que o serviço público. A sua vida exemplificou ideias com a mais elevada integridade, coragem e dedicação a fazer o que era melhor para todos os americanos. As suas contribuições para a nação deixam um longo legado”.

Após sair da Fed, Volcker ficou sempre ligado à banca e ao sistema financeiro (nomeadamente numa série de comités internacionais). O segundo ponto alto da carreira do economista foi junto do Governo, quando integrou o Economic Recovery Advisory Board do presidente Barack Obama.

Durante a crise financeira, Volcker foi extremamente crítico em relação à banca e, em 2010, ajudou Obama a criar regulação que impedia bancos comerciais de investirem em ativos de elevado risco e limitava o trading em grandes bancos. Viria a ser conhecida como Volcker Rule e a ser odiada tanto por Wall Street como pelo presidente Donald Trump.

“Inacreditável”. Foi esta a única palavra que Volcker usou quando, numa série de entrevistas realizadas em abril pela própria a antigos presidentes, lhe perguntaram: “Quando olha para trás, para a sua vida, os anos que passou na Fed e tudo o que se passa agora, quais são os seus pensamentos?”

(Notícia atualizada às 16h30)

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