Depois de arresto, Isabel dos Santos admite no Instagram risco de fecho de empresas

  • ECO
  • 2 Janeiro 2020

O arresto de bens feito pelo tribunal de Luanda representa um risco de encerramentos para as empresas em causa, disse a empresária, admitindo que "pedir um esclarecimento teria sido o melhor caminho".

Depois de ter reagido no Twitter ao arresto de contas bancárias e participações em empresas decretado por um tribunal de Luanda, afirmando que se trata de um “ajuste de contas” contra a sua família, Isabel dos Santos recorreu ao Instagram dar mais esclarecimentos, afirmando que todo este processo pode obrigar ao fecho de empresas.

Isabel dos Santos esteve em direto mais de 20 minutos no Instagram onde respondeu a questões e dúvidas que iam sendo colocadas pelos seus seguidores. Um dos temas falados foi, claro, o arresto decretado pelo tribunal. Afirmando desconhecer se os tribunais são obrigados a notificar as empresas nestes casos, a empresária angolana disse, ainda assim, que deveria ter tido oportunidade para se defender.

“Não sei se eles são obrigados a notificar ou não, talvez não. Mas vejamos o seguinte, quando estamos a falar de tantas pessoas, tantos trabalhadores, penso que pela atenção a todas estas pessoas, se calhar chamar e pedir um esclarecimento teria sido o melhor caminho e não teria criado este nível de ansiedade. Dar oportunidade a alguém e dar às empresas a chance de apresentarem factos não é um luxo, é um dever”, afirmou.

A filha de José Eduardo dos Santos disse ainda que foi contactada por diversos trabalhadores preocupados, mas que pediu às empresas para continuarem a trabalhar normalmente, dentro dos possíveis, porque é preciso “pagar equipamentos, salários e fornecedores”. “Queremos pôr Angola a trabalhar, mas agora com as contas congeladas eu não vou poder investir nem abrir empresas”, disse.

Contudo, quando questionada sobre a possibilidade de estas empresas fecharem, Isabel dos Santos confirmou. “Sim, há essa possibilidade. Estamos num momento de crise económica e, assim sendo, se as empresas não são acompanhadas muito de perto e não têm o apoio do acionista, de quem as criou, seguramente o risco está sempre aí”.

Sublinhando que foi “apanhada de surpresa” com esta notícia, Isabel dos Santos afirmou que já falou com o pai sobre o assunto. “O meu pai está preocupado, mas acredita que em Angola tem de vencer a verdade. Falei com ele e ele disse-me que a luta continua“.

Esta segunda-feira, o Tribunal Providencial de Angola decidiu o arresto preventivo de participações em nome de Isabel dos Santos e do seu marido, Sindika Dokolo, e do gestor Mário Silva, em empresas como a Unitel, o BFA, o Bic Angola e a ZAP. Este arresto será feito através das “contas bancárias dos requeridos (pessoais) nos bancos BFA, BIC, BAI e Banco Económico” e ainda a partir das participações sociais.

Depois desta notícia, a empresária angolana reagiu no Twitter para comentar o assunto, apelando tranquilidade das equipas de gestão das empresas envolvidas. “O caminho é longo, a verdade há de imperar”, escreveu.

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