Do petróleo à dívida. Mercados reagem ao ataque dos EUA contra general do Irão

Estados Unidos ordenaram um ataque aéreo que matou o comandante da força de elite iraniana Al-Quds. Os mercados financeiros internacionais estão a espelhar os receios dos investidores.

O presidente norte-americano Donald Trump ordenou um ataque aéreo em Bagdad, que matou o general iraniano Qassem Soleimani. Este era o comandante da força de elite iraniana Al-Quds e o líder supremo do Irão já prometeu vingança. O ataque acabou com o otimismo que se viveu nos mercados financeiros internacionais, na primeira sessão do ano, com os investidores a refletirem os receios com uma escalada das tensões geopolíticas.

O Pentágono anunciou, em comunicado, que, por ordem do presidente Trump, as forças armadas dos EUA tomaram “medidas defensivas decisivas” para proteger o pessoal norte-americano no estrangeiro, matando Soleimani. Washington defendeu que o general estava ativamente a desenvolver planos para atacar diplomatas e membros de serviços norte-americanos no Iraque e em toda a região.

O líder supremo do Irão condenou os ataques e declarou três dias de luto pela morte do comandante da força de elite iraniana, que descreveu como “símbolo internacional de resistência”. O chefe da diplomacia iraniana avisou que o ataque constitui uma “escalada extremamente perigosa” e prometeu vingança. Rússia, França e China já alertaram para as consequências do acontecimento, pedindo calma e estabilidade no Médio Oriente.

“O aumento das tensões entre EUA e Irão pela morte do responsável militar iraniano pelas operações no exterior por um drone norte-americano levou a uma subida dos preços do petróleo e a um aumento da incerteza a curto prazo pelas possíveis represálias por parte do Irão. Por isso, é praticamente inevitável que hoje [sexta-feira] ocorra uma correção nas bolsas, após as subidas de ontem [quinta-feira]”, refere o Bankinter, numa nota de abertura do mercado.

Após um ano de fortes ganhos em quase todas as classes de ativos, os mercados financeiros entraram em 2020 com otimismo. A primeira sessão, esta quinta-feira, foi novamente de subidas, mas o ataque teve impacto no sentimento: levou a um disparo no petróleo e ouro, acompanhado por uma fuga dos investidores das ações para as obrigações.

É provável que ao longo de 2020 o conflito entre EUA e Irão se intensifique. Isso levará a um aumento do ruído e fará com que o Brent provavelmente se situe acima do intervalo entre 60 e 70 dólares, mas não irá alterar os fundamentais do mercado, que continuam pró-bolsas”, acrescenta o banco.

Petróleo dispara 4%

Devido à localização do conflito, a primeira reação veio do mercado petrolífero. As tensões no Médio Oriente poderão comprometer o fornecimento da matéria-prima a nível global, o que levou a um disparo nos preços. O Brent, que serve de referência para as importações nacionais, valoriza 3,86% para 68,81 dólares, um máximo desde 17 de setembro. Nos EUA, o barril de West Texas Intermediate (WTI) sobe 3,74% para 63,47 dólares, o valor mais elevado dos últimos sete meses.

Bolsas afundam com fuga ao risco

As ações estão a ter a reação contrária e cedem à aversão dos investidores ao risco. Após a última sessão ter sido de subidas, as principais bolsas europeias seguem esta sexta-feira no vermelho. O Stoxx 600 cai 0,7%, enquanto o alemão DAX e o francês CAC 40 perdem 0,5%. Portugal não está a escapar à tendência e o índice PSI-20 desvaloriza 0,62% para 5.233,81 pontos.

Petrolíferas ganham com subida do petróleo

A exceção nos mercados acionistas são as petrolíferas, que beneficiam da subida do preço do petróleo. É o caso de empresas como a australiana Santos, das chinesas PetroChina e CNOOC ou da indiana Oil India, que registaram durante a madrugada ganhos superiores a 2%. A portuguesa Galp Energia (uma das duas únicas cotadas no “verde”, em Lisboa) ganha 1,5% para 15,21 euros por ação.

Ouro em máximos de quatro meses

Esta forte subida dos preços do petróleo, para máximos de vários meses, foi acompanhada de valorizações em ativos-refúgio como o ouro, que ganha 1,15% para 1.546,75 dólares por onça, o valor mais elevado em quatro meses. Também a prata, a platina e o paládio seguem em alta, com ganhos na ordem de 1%.

Juros da dívida recuam

A fuga ao risco está a levar os investidores não só em direção aos metais preciosos, mas também a refugiarem-se nas obrigações. Os juros das dívidas da Zona Euro, caem de forma generalizada com o a yield do benchmark alemão a recuar 6 pontos base para -0,288%.

No caso de Portugal, o juro da dívida a dez anos cedem para 0,36%, enquanto em Espanha os mesmos títulos têm um juro de 0,388% e em Itália de 1,33%. Nos três países, estes são os valores mais baixos em duas semanas.

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