Pedro Sánchez acusa direita de dificultar formação de Governo em Espanha

  • Lusa
  • 4 Janeiro 2020

No discurso do debate de investidura, o candidato à presidência do Governo espanhol, Pedro Sánchez, acusou a “bancada da direita” de negar-se a facilitar a governabilidade do país.

O candidato à presidência do Governo espanhol, Pedro Sánchez, acusou a “bancada da direita” de negar-se a facilitar a governabilidade do país, criticando-a por anunciar os “piores presságios” para Espanha, ao mesmo tempo que “se recusa a evitá-los”.

“Não compartilho dos seus terrores”, afirmou Pedro Sánchez durante o seu discurso do debate de investidura, no congresso dos deputados, garantindo que “o PSOE é um partido espanhol formado por compatriotas” que com “sucessos e erros tem contribuído para melhorar a vida das pessoas”.

Sánchez insistiu que a direita se “equivoca quando põe em dúvida o compromisso da esquerda com Espanha” e acrescentou que se os temores da direita “não são fingidos”, então não consegue compreender por que razão esta “não mexe um dedo para que não ocorram”.

O candidato à investidura sublinhou que o diálogo é a “única via possível” para resolver o “conflito” catalão e assinalou que esse diálogo deve estar apoiado na Constituição. “Abramos um diálogo honesto amparado pela segurança que é concedida pelo nosso sistema jurídico”, disse o responsável, considerando que é necessário deixar para trás a “judicialização do conflito” e “retomar o caminho da política”.

O presidente do Governo em funções insistiu que é necessário recomeçar e retomar esse diálogo no momento em que os caminhos se separaram e em que “os argumentos de uns e de outros deixaram de ser ouvidos”.

Sánchez considerou “inegáveis” os diferentes sentimentos existentes atualmente na Catalunha e reconheceu que nos últimos anos tem havido um “abandono” e uma “incapacidade” de resolver este conflito, que também justificou pelas “debilidades e desgastes do sistema autonómico” que é “preciso corrigir”.

O governante apelou ainda ao diálogo entre todas as forças, para resolver outros problemas que afetam os cidadãos e que “não fazem distinção entre esquerdas e direitas”. “Não pediremos a ninguém que renuncie aos seus princípios, apenas que renunciem ao seu sectarismo”, disse.

Sánchez promete combate à desigualdade “corrisiva” em Espanha

No seu discurso, o candidato do PSOE prometeu também que o Governo de coligação progressista com Unidos Podemos promoverá medidas para aumentar o valor das rendas mais baixas, perante a crescente desigualdade resultante da crise, que “é corrosiva”.

Naquele que é o primeiro dia de debate de investidura, o candidato socialista apontou a necessidade de redistribuir a riqueza e de que exista “justiça fiscal”, já que o “dinheiro nem sempre é melhor no bolso daqueles possuem uma fortuna, mas nos serviços públicos”.

Sánchez chamou a si o tradicional discurso do Podemos, ao defender o público face ao privado: “Nas escolas públicas, nos hospitais, nas estradas que nos ligam ou nas esquadras e tribunais que garantem os direitos e as liberdades”.

Sánchez assinalou que a desigualdade “é corrosiva para o progresso e é preciso aumentar os rendimentos mais baixos”. Ao mesmo tempo, apontou: “Somos uma sociedade e é falsa a conceção neoliberal que apenas tem em consideração os indivíduos. O público é o que nos une”.

“Os símbolos são importantes para os seres humanos, mas para nós são a educação ou as pensões e os impostos que pagamos para custear todos os serviços públicos”, disse, depois de insistir que a direita e a esquerda não fazem distinção entre os idosos, e, por isso, prometeu “renovar o Pacto de Toledo e revalorizar as pensões em função do custo de vida”.

Diálogo com Catalunha é prioridade de Governo

Pedro Sánchez colocou o diálogo na Catalunha como uma “prioridade absoluta” para a legislatura, prometendo que não vai romper com a Constituição, nem dividir o país.

“A Espanha não vai romper com a Constituição. Vamos é romper com o bloqueio”, disse Pedro Sánchez durante o debate de investidura, referindo-se à vontade de resolver o impasse negocial com os independentistas catalães.

Minutos depois, Pablo Iglesias, líder do futuro parceiro de coligação governamental Unidas Podemos, reafirmou a intenção de estabelecer diálogo com os independentistas catalães, dizendo que o encantaria que deixassem as suas convicções: “Mas não sou ingénuo, sei que vão continuar a ser independentistas e isso é legítimo em democracia. Mas acredito que há valores democráticos e sociais que nos unem para enfrentar democraticamente os conflitos”.

Além da prioridade de resolver o problema independentista na Catalunha, o líder socialista Pedro Sánchez apresentou o programa com que o seu executivo pretende governar, salientando o aumento dos salários mais baixos e o aumento dos impostos para as grandes empresas.

Com este programa, Sánchez disse estar convencido de que conseguirá reunir o número de votos suficientes para governar, após vários meses de impasse político, assegurando a maioria através do apoio do Unidas Podemos, mas também do partido da Esquerda Republicana da Catalunha.

Em resposta, Pablo Casado, presidente do Partido Popular (direita), referiu-se a Sánchez como o “líder de uma coligação que quer acabar com a Espanha constitucional” e caracterizou o futuro executivo como “um Governo Frankenstein”, formado por “comunistas e separatistas”.

Também Santiago Abascal, líder do partido Vox (extrema-direita), terceira força política no parlamento, acusou o candidato a presidente do Governo de ser “traidor” e “bandido”, referindo estar a deturpar o sistema constitucional espanhol.

(Notícia atualizada às 16h49 com mais informações)

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