Motoristas da Uber buzinam de Belém às Amoreiras em protesto contra redução dos preços

Os motoristas da Uber estão em protesto contra a redução dos preços praticados pela aplicação. A marcha lenta começou em Belém e termina nas Amoreiras, onde se localizam os escritórios da plataforma.

Cerca de cem carros da Uber partiram esta segunda-feira de manhã, em marcha lenta, de Belém às Amoreiras. Os condutores fazem-se ouvir através das buzinas num protesto contra a redução dos preços praticados pela aplicação.

O Governo tem de intervir. A solução passa por rever a lei que regula os TVDE estabelecendo um preço mínimo ao quilómetro”, aponta ao ECO Pedro Vieira, motorista da Uber. Pedro Vieira é motorista-parceiro da platoforma eletrónica há cerca de três anos e a sua empresa gere uma equipa de cinco carros. “A continuar assim a situação torna-se insustentável”, atira.

Motoristas da UBER em marcha de protesto frente à Assembleia da República - 06JAN20
A marcha lenta começou em Belém, passou ao largo da Assembleia da República e vai terminar nas Amoreiras, onde se localizam os escritórios da Uber.Hugo Amaral/ECO

Também Sílvia, uma outra condutora ouvida pelo ECO e que preferiu não se identificar, defende que o Executivo deve colocar um travão à redução das comissões, caso contrário “a margem de lucro para os condutores vai ser bastante reduzida”.

No seguimento da manifestação desta segunda-feira, fonte oficial da Uber garante que a empresa está “sempre em contacto” com os motoristas, para que a empresa “lhes continue a proporcionar oportunidades económicas fiáveis”.

Em causa está a descida de preços do serviço básico de transporte Uber X a partir deste ano, que ficou 10% mais barato, segundo os próprios cálculos da Uber. A medida, positiva na ótica do passageiro, gerou desconforto entre os motoristas, que temem a pressão adicional sobre os rendimentos e criticam a decisão da empresa em manter inalterada a comissão de 25% aplicada ao valor das viagens. Os motoristas já tinham feito um protesto no fim de semana, mas não gerou impacto na operação da Uber em Lisboa.

Numa tentativa de assegurar uma transição suave para os novos tarifários e para colmatar essa perda para os motoristas, a Uber criou um plano de “incentivos personalizados”, por forma a que os motoristas possam obter o rendimento médio dos últimos meses. Ao que o ECO apurou, em alguns casos, os motoristas poderão ter de trabalhar 75 horas numa semana, caso queiram aceder ao bónus.

A manifestação estava marcada para as 10h30, mas só arrancou por volta das 11h40 desta segunda-feira. O protesto foi marcado pelas redes sociais, nomeadamente por grupos de Whatsapp. A marcha lenta começou na zona de Belém e termina nas Amoreiras, onde se localizam os escritórios da empresa.

(Notícia atualizada às 18h03 com a reação da Uber)

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