Em atualização Irão responde aos EUA. Ataca bases aéreas americanas no Iraque. “Demos um estalo na cara deles”, diz líder iraniano

Teerão lançou “dezenas” de mísseis contra duas bases aéreas norte-americanas, no Iraque. Televisão iraniana fala em "80 americanos terroristas" mortos, mas EUA desmentem.

Depois do ataque ordenado por Donald Trump que vitimou Qassem Soleimani, o Irão prometeu vingança. E, um dia depois do funeral do general iraniano, começou a cumprir a promessa, lançando 22 mísseis terra-a-terra contra duas bases aéreas iraquianas onde estão instaladas as tropas norte-americanas. Apesar de ainda não haver números oficiais, a media iraniana fala em, pelo menos, “80 terroristas americanos mortos”.

“A feroz vingança dos Guardas da Revolução começou”, afirmou o Exército de Guardiães da Revolução Islâmica, divisão das forças armadas de elite do Irão, reivindicando, através de um comunicado citado pelo The New York Times, os ataques.

O Pentágono já confirmou que as bases aéreas de al-Asad, a oeste de Bagdad, e outra em Erbil, no Curdistão iraquiano, foram atingidas naquela que está a ser apelidada de operação “Mártir Soleimani”. As duas bases estavam em estado de alerta elevado perante a possibilidade de retaliação do Irão.

Até ao momento não foram dadas informações oficiais sobre se os ataques, mas a televisão estatal iraniana, citada pelo Daily Mail (conteúdo em inglês), fala em 22 mísseis terra-a-terra, disparados a partir do Irão, e pelo menos, “80 terroristas americanos mortos”.

Contudo, os Estados Unidos desmentiram esta informação e disseram não haver registo de vítimas. “À medida que avaliamos a situação e a nossa resposta, iremos adotar todas as medidas necessárias para proteger e defender os militares norte-americanos e os dos nossos aliados na região”, escreveu o Departamento de Defesa dos EUA, no Twitter.

A mesma televisão iraniana acrescentou que vários helicópteros e equipamentos militares foram “severamente danificados” e, citando uma fonte importante da Guarda Revolucionária, referiu que o Irão tem outros 100 alvos identificados na região, caso Washington decidisse retaliar.

Depois de a Casa Branca ter afirmado que Donald Trump já tinha sido informado destes ataques, o Presidente norte-americano recorreu, como sempre, ao Twitter para reagir. “Está tudo bem! Mísseis foram lançados do Irão para duas bases militares no Iraque. A avaliação das vítimas e dos danos está a ser feita. Até agora, está tudo bem! Temos as forças armadas mais poderosas e mais bem equipadas do mundo, de longe! Farei uma declaração amanhã de manhã”, disse.

O Médio Oriente “não aceita a presença dos Estados Unidos”. Irão avisou Iraque antes do ataque

Mohammad Javad Zarif, ministro das Relações Internacionais do Irão, também fez questão de comentar o assunto. “O Irão tomou e concluiu medidas proporcionais em legítima defesa”, escreveu no Twitter. “Não procuramos uma guerra, mas vamos defender-nos de qualquer ataque”.

Esta manhã (hora de Lisboa), o líder supremo do Irão, Ali Khamenei, falou aos iranianos na cidade sagrada de Qom, e comentou estes ataques. “Os eventos desta noite foram para defender a posição do nosso grande líder de revolução”, começou por dizer, acrescentando: “Demos um estalo na cara deles [Estados Unidos] ontem à noite, mas isso não é equivalente ao que eles fizeram”.

Citado pela media iraniana, o presidente do Irão, Hassan Rouhani, referiu durante uma reunião que o objetivo final do país é retirar do Médio Oriente todas os militares norte-americanos. “Vocês cortaram a mão do corpo de Soleimani e os vossos pés serão cortados desta região”, disse.

Momentos mais tarde, no Twitter, o responsável deixou algumas ideias soltas, sempre em forma de ataque ao Governo dos Estados Unidos, que apelidou de “mentiroso e desmedido”. “A nação iraniana deu-lhes um estalo na cara, com milhões de dólares para o funeral do general Soleimani”, lê-se. “Os inimigos sentiram-se humilhados com a magnificência da participação da nação iraniana no funeral de Soleimani. Eles podem não admitir, mas não têm outra opção senão aceitá-lo”.

“Os Estados Unidos causaram guerra, divisão, conspiração, destruição e demolição de infraestruturas nesta região. É claro que eles fazem isso em qualquer lugar do mundo. Esta região não aceita a presença dos Estados Unidos. Governos eleitos por nações não aceitarão a presença dos Estados Unidos“, rematou.

Além disso, num comunicado escrito em árabe e partilhado na sua página do Twitter, o primeiro-ministro do Iraque disse que foi avisado do ataque pelo Irão. “Em nome de Deus, o mais gracioso e misericordioso. Pouco depois da meia-noite desta quarta-feira, recebemos uma mensagem oficial da República Islâmica do Irão de que a resposta iraniana ao assassinato de Qasim Soleimani tinha começado ou começaria em breve”, lê-se.

Comissão Europeia apela ao diálogo. Companhias aéreas cancelam voos

Também o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyhahu, já reagiu aos ataques, mostrando total apoio aos Estados Unidos e dizendo-se preparado para retaliar caso os israelitas sejam atacados: “Quem nos tentar atacar será o mais forte”, disse Netanyahu, citado pela Reuters. O responsável acrescentou que Israel “apoia completamente” a decisão de Trump e que este merece os parabéns por agir de forma ousada.

Ao mesmo tempo, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, utilizou o Twitter para condenar o ataque, pedindo contenção ao Irão. “Condeno os ataques de mísseis iranianos às forças norte-americanas no Iraque. A NATO pede ao Irão que se abstenha de mais violência. Os aliados continuam comprometidos na missão de treinos no Iraque”, refere.

A presidente da Comissão Europeia, Úrsula Von Der Leyen, também apelou a uma resolução do conflito. “A UE, à sua própria maneira, tem muito para oferecer. Temos relações estabelecidas e comprovadas pelo tempo com muitos atores na região para ajudar a travar a escalada (…) A UE está muito empenhada nesta área, pelo que a sua voz é ouvida“, disse.

Na sequência dos ataques desta noite, o ministro da defesa da Eslovénia condenou o ataque e anunciou que vai ordenar a retirada de seis militares da base aérea do norte do Iraque, que estavam a ser treinados por soldados alemães. Também na terça-feira, a Alemanha avançou que iria reduzir o número de tropas presente no Iraque.

Ao mesmo tempo, quatro companhias aéreas já cancelaram voos de e para Bagdad. A Royal Jordanian, da Jordânia, interrompeu todos os serviços entre Amã e Bagdad, mas mantém os voos regulares entre Najaf e as cidades iraquianas de Basra, Erbil e Sulaymaniyah. Já a Gulf Air, do Bahrein, suspendeu os voos entre Najaf, no sul do Iraque, e Bagdad.

Mais tarde, foi a vez de a Lufhtansa cancelar um voo programado para esta quarta-feira entre Frankfurt e Teerão, enquanto a Air France suspendeu os voos que sobrevoam o espaço aéreo do Irão e do Iraque até “nova ordem”.

Estes ataques surgem poucos dias depois de os Estados Unidos terem, com recurso a drones, realizado um ataque aéreo contra o carro em que seguia Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds, junto ao aeroporto internacional de Bagdade, capital do Iraque.

Trump já tinha advertido Teerão que as forças militares norte-americanas identificaram 52 locais no Irão e que os atacarão “muito rapidamente e duramente” se a República Islâmica atacasse pessoal ou alvos americanos. Alguns desses locais iranianos “são de muito alto nível e muito importantes para o Irão e para a cultura iraniana”, precisou Trump, numa mensagem no Twitter. “Os Estados Unidos não querem mais ameaças”, acrescentou.

Donald Trump disse ainda que o número de 52 lugares corresponde ao número de americanos que foram feitos reféns durante mais de um ano, no final de 1979, na embaixada dos Estados Unidos em Teerão.

(Notícia em atualização)

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