Elisa Ferreira critica decisões de Licínio Pina, mas não foram suficientes para lhe retirar idoneidade

  • ECO
  • 14 Janeiro 2020

A ex-vice governadora do BdP admite que não "foram decisões prudentes" as tomadas por Licínio Pina e Sérgio, mas refere que polémicas não eram suficientes para retirar idoneidade.

As reconduções de Licínio Pina, presidente na Caixa Central de Crédito Agrícola, bem como, do administrador Sérgio Frade estão a causar desconforto dentro do Banco de Portugal (BdP). As decisões foram tomadas por Elisa Ferreira, ex-vice governadora do BdP, sem consultar consultar o Conselho de Administração. A ex-vice governadora admite que as decisões de Licínio Pina “não foram prudentes”, mas sublinha que as polémicas não eram suficientes para retirar idoneidade.

Em causa está o processo de revalidação de idoneidade atribuído em maio de 2019, que não terá agradado às estruturas intermédias e de topo do banco, segundo o Público (acesso condicionado). Isto depois da polémica contratação da mulher de Licínio Pina pelo banco, para dar “estabilidade emocional” ao marido, bem como o negócio que envolveu a aprovação da venda de um imóvel do banco a uma empresa gerida pela mãe de Sérgio Frade.

Elisa Ferreira terá considerado que em ambos os casos que não haveria irregularidades e autorizou os dois gestores a um novo mandato, até 2021. “Na altura, depois das investigações, não achei nada crítico, o tema da mulher [de Licínio Pina] é compreensível e o mais pesado era até o negócio imobiliário, mas uma auditoria externa [da EY] não detetou nenhuma ilegalidade, pois a venda foi ao preço de mercado e respeitando as regras”, explicou Elisa Ferreira ao Público.

“Se me perguntam se foram decisões prudentes, não foram”, diz a atual comissária portuguesa com a tutela Coesão e Reformas. “Mas não têm gravidade para lhes retirar a idoneidade ou levar [a discussão] ao CA do BdP, o que eu só fazia se havia dúvidas, se o assunto era grave ou de natureza política, ou muito quente [mediatizado]. Não era o caso, e agi em consciência e com base nos pareceres dos serviços”, remata.

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