3.030. Estes são os votos que Rio e Montenegro disputam hoje para liderar o PSD

O PSD volta este sábado às urnas para o segundo round nas eleições internas. Votos em Pinto Luz, abstencionistas e novas desistências são determinantes para saber quem ganha: Rio ou Montenegro.

É hoje. Depois de na primeira volta ninguém ter conseguido mais de 50% dos votos, os militantes do PSD voltam este sábado às urnas para escolher o futuro presidente social-democrata. Na corrida estão agora apenas dois candidatos — Rio e Montenegro. O destino dos 3.030 votos de Pinto Luz, já fora da disputa, e a taxa de participação no segundo round podem ser decisivos para saber quem vence as eleições internas.

No sábado passado, dos 40.604 militantes com capacidade de voto, 79% foram às urnas escolher o futuro líder laranja. Rui Rio ficou em primeiro lugar, a 312 votos de conseguir a percentagem mínima de votos para ser declarado presidente à primeira volta.

Resultados das diretas do PSD na primeira volta

Distribuição de votos: Luís Montenegro (azul); Rui Rio (laranja); Miguel Pinto Luz (preto); Brancos (amarelo); Nulos (cinzento)

 

Uma semana depois, Rio e Montenegro, respetivamente o primeiro e segundo classificados, estão frente-a-frente. Há vários fatores que podem influenciar o resultado que será conhecido logo à noite:

  1. Para onde vão os votos de quem à primeira volta escolheu Miguel Pinto Luz? Foram 3.030 os militantes sociais-democratas que a 11 de janeiro escolheram o vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais para presidir ao PSD. Pinto Luz venceu em dois distritos: Área Metropolitana de Lisboa e Setúbal. No primeiro teve 1.592 votos e no segundo conseguiu 299 votos.
  2. Nem todos os militantes foram votar na primeira volta. A taxa de participação foi de 79%, o que significa que dos 40.604 militantes com possibilidade de voto, 8.522 não foram votar. Estes votos podem ser decisivos. Mais para Rui Rio que teme que caso vença por poucos a oposição interna não dê descanso.
  3. Mas há um outro tipo de abstenção que pode surgir e que resulta da desmobilização de militantes que foram votar na primeira volta mas optem por não o fazer no segundo round.

É este conjunto de fatores que pode decidir quem será o líder da oposição nos próximos tempos. Na noite eleitoral, Luís Montenegro, — que obteve 13.137 votos, o equivalente a 41,42%, — disse que ia tentar captar os votos de Pinto Luz.

E ao longo da semana foi possível ver declarações de apoio ao ex-líder da bancada parlamentar de Passos Coelho. Nomes como Matos Rosa (ex-secretário-geral do PSD), Miguel Relvas (ex-ministro de Passos), Marco António Costa (antigo vice-presidente do PSD) e Bruno Vitorino (presidente da distrital de Setúbal do PSD) foram algumas das personalidades mais sonantes ou com mais peso que declararam apoio a Luís Montenegro, depois de à primeira terem votado no vice da autarquia de Cascais.

Por outro lado, houve votos de Pinto Luz que passaram para o lado do atual presidente do PSD. Luís Mira Amaral (que foi ministro da Indústria de Cavaco Silva), Manuel Rodrigues (mandatário da distrital de Bragança de Pinto de Luz) e Ana Miguel Santos (cabeça de lista pelo círculo de Aveiro) são, segundo um levantamento feito pelo Observador, os que declararam apoio a Rui Rio.

Pela primeira vez em eleições diretas foi preciso marcar uma segunda volta para decidir quem vai liderar o PSD, depois de em 2012 o partido ter mudado os estatutos, obrigando o presidente a ser eleito por mais de 50% dos militantes que votam.

Depois de eleito, o PSD tem um congresso marcado para os dias 7, 8 e 9 de fevereiro, em Viana do Castelo, onde são escolhidos os novos órgãos do partido para os próximos dois anos e debatida a estratégia política.

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