Fugir do Reino Unido com Brexit? Empresas fazem marcha-atrás

  • Lusa
  • 27 Janeiro 2020

As empresas estão menos interessadas em sair do Reino Unido por causa do Brexit. A Airbus é uma delas e admite mesmo expandir as operações no país.

O número de anúncios de empresas que pensam em deslocar os seus negócios para fora do Reino Unido por causa do Brexit abrandou, e algumas empresas já começaram a mudar de estratégia.

O boletim do índice de monitorização da consultora EY de janeiro observou uma “pausa dos anúncios de mudanças dos seus negócios em resposta ao Brexit entre julho e dezembro”, período que coincide com a entrada em funções do atual primeiro-ministro, Boris Johnson.

“O silêncio sobre novos anúncios ao nível operacional contrasta com o aumento de empresas que fizeram anúncios públicos com objetivos específicos durante as negociações do Brexit, constatam os autores da análise.

O boletim recorda que, das 222 empresas de serviços financeiros, como bancos, seguradoras e gestoras de fundos, que o índice acompanha, 41% afirmaram que planeavam mudar operações ou funcionários para a União Europeia (UE) para manter o acesso ao mercado único.

A consultora estimou em 7.000 o número de postos de trabalho que poderão ser transferidos do centro financeiro de Londres para a UE e em 1 bilião de libras (1,2 biliões de euros) o valor dos ativos que poderão acompanhá-los.

Dublin, Frankfurt ou Luxemburgo são os principais destinos destas empresas, cujo setor representa 6,9% do Produto Interno Bruto (PIB) britânico, 1,1 milhões de postos de trabalho e 29 mil milhões de libras (34,4 mil milhões de euros) em receitas fiscais.

Ainda em novembro, o grupo Allianz Global, que gere cerca de 557 mil milhões de euros, substituiu o presidente executivo Andreas Utermann, que estava nos escritórios de Londres, por Tobias Pross, que se divide entre o quartel-general, em Munique, e Frankfurt.

Desde o referendo de 2016, várias empresas responsabilizaram o Brexit, direta ou indiretamente, pelo mau desempenho e resultados financeiros, redução de trabalhadores ou deslocação dos negócios para outros países, em particular aquelas dependentes de linhas de produção sincronizadas com a entrega de componentes vindos da Europa.

O grupo PSA, que inclui as marcas Vauxhall (Opel), Peugeot e Citroen, anunciou uma interrupção do investimento no Reino Unido até conhecer o impacto de um novo acordo de comércio pós-Brexit, a Nissan desistiu de fazer o modelo X-Trail na fábrica em Sunderland, a BMW admitiu a redução da produção se forem impostas tarifas sobre os automóveis exportados, e a Honda resolveu simplesmente fechar a fábrica em Swindon.

A Agência de Comércio e Investimento alemã revelou na quinta-feira ter sido informada por cerca de 24 empresas britânicas de que iriam abrir representações no país, mas Portugal, Holanda e França foram outros dos países que registaram um influxo de empresas tecnológicas.

Mas, agora que o Reino Unido vai sair da União Europeia (UE) de forma ordenada, com um acordo que garante uma transição até ao final de 2020, algumas empresas já começaram a fazer inversão de marcha.

Airbus “empenhada no Reino Unido”. Pode mesmo expandir operações no país

Um exemplo é a construtora de aviões Airbus, cujo presidente executivo, Tom Enders, divulgou um vídeo em janeiro do ano passado, num sinal de frustração com o processo do Brexit, chamando aos deputados “uma desgraça” e ameaçando com uma saída do país.

“Não tenham dúvidas, há muitos países por aí que gostariam de construir as asas para os aviões da Airbus”, garantiu, confiante de que o emprego de 14 mil pessoas e a grande contribuição para o PIB poderiam influenciar e até inverter o rumo.

Doze meses depois, o sucessor de Enders, Guillaume Faury, assegurou à ministra da Economia, Andrea Leadsom, no início do ano, que a Airbus está “empenhada no Reino Unido e empenhada em trabalhar com o novo governo para ser um parceiro-chave de uma ambiciosa estratégia industrial”.

Citado pelo Daily Telegraph, acrescentou que via potencial para “melhorar e expandir” as operações país ainda em 2020.

Esta tendência parece ser confirmada por um estudo da consultora Bovill, que descobriu que mais de 1.400 empresas europeias estão a fazer o trajeto inverso à fuga causada pelo Brexit e a abrir escritórios no Reino Unido.

O consultor Michael Johnson considera que “estes números mostram claramente que muitas empresas veem o Reino Unido como o principal centro dos serviços financeiros na Europa”.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Fugir do Reino Unido com Brexit? Empresas fazem marcha-atrás

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião