PwC alerta para perdas da Worten em Espanha. Empresa diz-se “comprometida” com negócio

  • ECO
  • 7 Fevereiro 2020

Auditor coloca dúvidas sobre a capacidade de a empresa continuar a operar em Espanha. Worten destaca plano de revitalização naquele mercado focado no digital e diz já ter encerrado 14 lojas físicas.

A filial espanhola da Worten está a passar por dificuldades, situação que a coloca à beira da dissolução, defende a PwC, revela o Cinco Días esta sexta-feira. A empresa do universo Sonae rebate essas afirmações, dizendo estar “comprometida” com a operação em Espanha, assente na implementação de um plano de revitalização focado na melhoria da rentabilidade e na aposta no digital.

“A Worten continua comprometida com a sua operação em Espanha e continuará a desenvolver a sua estratégia e a honrar todos os seus compromissos, beneficiando do apoio e solidez de um acionista de referência que é a Sonae”, diz fonte oficial da Worten.

A empresa reagiu desta forma à notícia desta sexta-feira do jornal espanhol que diz que, desde a aquisição em 2008 da antiga Boulanger, a subsidiária espanhola da cadeia portuguesa de distribuição pertencente à Sonae regista perdas constantes. Em 2018, as perdas somaram 26 milhões de euros, 23% acima do ano anterior, valor que soma aos mais de 320 milhões que aparecem no balanço da Worten como “perdas de anos anteriores”.

Na primeira metade de 2019, essas perdas tiveram continuidade, sendo que o auditor — a PwC — coloca dúvidas sobre a capacidade de a empresa continuar a operar. Num relatório de auditoria, a PwC fala na difícil situação patrimonial, adiantando que as perdas acumuladas até ao primeiro semestre de 2019 “reduziram o património líquido a um valor inferior a metade do valor do capital social”.

Tal, lembra o auditor, coloca a empresa em risco de dissolução e fala em “incerteza material” e em “dúvidas significativas” relativamente à capacidade de a empresa continuar a operar.

Perante as dificuldades da filial espanhola, a Sonae fez uma injeção de 25 milhões de euros. Uma “indicação do seu apoio financeiro” que foi acompanhado por um novo plano de negócio aprovado durante aquele ano com a expectativa de “obter resultados positivos no médio prazo”. Em específico, obter lucros antes de impostos em 2021.

Contudo, a PwC diz que o plano de negócios nunca lhe passou pelas mãos. “A empresa não nos forneceu as bases com as quais se baseou para preparar o plano de negócios acima mencionado. Consequentemente, não fomos capazes de ficarmos satisfeitos com a sua razoabilidade“, diz o auditor.

Já a Worten rebate os alertas da PwC, dizendo que “iniciou a implementação de um plano de revitalização das suas operações em Espanha Continental, com o objetivo de melhorar a sua rentabilidade, tal como comunicado ao mercado já em 2019”.

Relativamente a esse plano, diz passar “pela aposta num modelo omnicanal, que conjuga lojas físicas e online, bem como pela redução de outros custos operacionais”. A esse propósito diz ainda que “promoveu o crescimento dos canais digitais e o encerramento de 14 lojas físicas sem viabilidade económica no contexto competitivo atual, o que permitiu desde logo melhorar a rentabilidade da operação, servindo mais clientes de forma mais eficiente”.

(Notícia atualizada às 12h16 com a posição da Worten)

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