Administração Trump analisa capital chinês na EDP. Mexia diz que os EUA precisam da EDP nas renováveis

O CEO da EDP lembrou que a elétrica já investiu mais de 10 mil milhões de euros nos Estados Unidos, país que precisa da empresa para desenvolver energias renováveis, garante Mexia.

Depois do secretário norte-americano da Energia, Dan Brouillette, ter dito durante uma visita recente a Portugal que a Administração do Presidente Donald Trump está preocupada e vai analisar o investimento chinês na EDP pela China Three Gorges, sobretudo na EDP Renováveis, o CEO da elétrica António Mexia disse esta quinta-feira na apresentação dos resultados de 2019 que não só os Estados Unidos são um mercado importante para a empresa, mas “a EDP também é um player importante nos EUA” e “importante para as renováveis” do outro lado do Atlântico.

“Os EUA são importantes para a EDP, mas a EDP também é importante para o desenvolvimento das renováveis nos EUA. Isso é reconhecido e apreciado por todos. Já investimos mais de 10 mil milhões de euros no país e estão criadas as condições para que o nosso investimento não seja perdido. É prioritário manter a posição nos EUA, até porque dos 3000 MW que contratámos em 2019, 50% foram nesse mercado. Estamos atentos a todas as nossas obrigações em cumprimento da regulação. Mas estamos confiantes que o nosso crescimento nesta plataforma prioritária não será afetado”, disse Mexia.

De passagem por Portugal, na semana passada, o secretário da Energia dos Estados Unidos, Dan Brouillette, reconheceu que a Administração do presidente norte-americano Donald Trump está a olhar com bastante preocupação para a presença do acionista chinês China Three Gorges na estrutura de capital da EDP, tendo em conta o crescimento da elétrica portuguesa no mercado norte-americano, sobretudo ao nível das energias renováveis.

“É uma empresa fantástica. A preocupação é de que à medida que a EDP continua a crescer nos Estados Unidos, o que esperamos que aconteça, a presença de um acionista chinês possa trazer problemas à medida que o crescimento continue. É isso que vamos avaliar muito diretamente”, garantiu o secretário de Estado da Energia de Trump aos jornalistas em Lisboa, um dia depois de ter visitado o Porto de Sines e ter confirmado o interesse dos Estados Unidos em exportarem gás para a Europa, via Portugal.

O responsável pela Energia no Governo de Trump não esconde também o desejo de ver mais capital americano na EDP, para contrabalançar a presença chinesa. “Espero que as empresas americanas invistam na EDP. São líderes na indústria das renováveis. Queremos vê-los tornaram-se uma parte ainda maior do mercado americano. A estratégia energética do Presidente Trump baseia-se em vários cenários, que incluem não só os combustíveis fósseis, como o petróleo e o gás natural, mas também as energias solar e eólica, onde a EDP é uma grande empresa. No que diz respeito ao investimento chinês na EDP, de facto surge como um problema para nós nos EUA, tendo em conta a abordagem dos chineses em relação ao roubo de propriedade intelectual. Sabemos bem disso, outras nações também sabem, e as minhas conversas aqui em Portugal refletem e reconhecem isso, que os chineses têm sido muito agressivos no roubo de propriedade intelectual, até ao ponto de isso constituir um risco para a rede elétrica americana ou para a defensa nacional. Vamos abordar essas questões de forma direta e agressiva”, disse Brouillett.

Questionado sobre se o Governo Trump tinha ficado aliviado com a rejeição da OPA chinesa à EDP, em 2019, o responsável do Executivo de Trump não comenta se “foi ou não um mau negócio”. “Nos EUA avaliamos se este tipo de investimentos representa riscos para a rede elétrica nacional ou infraestruturas. Mesmo com a manutenção de uma posição de 25% da China Three Gorges na EDP vamos avaliar de perto os riscos”. E se OPA tivesse ido avante isso, o futuro da EDP no mercado americano estaria em risco? “Potencialmente poderia estar, dependendo dos detalhes do negócio”.

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