Fim do carvão em Sines depende de novas barragens no Tâmega

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega, cujas obras estarão concluídas até 2023, representa um investimento total 1.500 milhões de euros para 1.158 MW de capacidade instalada.

De visita às obras de construção do Sistema Eletroprodutor do Tâmega, que está a ser desenvolvido pela espanhola Iberdrola em Ribeira de Pena, o primeiro-ministro António Costa disse esta terça-feira que o encerramento das últimas duas centrais a carvão ainda em funcionamento em Portugal – Pego e Sines – depende diretamente da entrada em funcionamento das três novas barragens no norte do país.

“Fixámos o objetivo e o calendário de desativação durante esta legislatura das duas centrais a carvão que ainda utilizamos. Fizemos depender o encerramento da última central a carvão [Sines, da EDP] da conclusão e entrada em funcionamento deste centro eletroprodutor. Para o ano encerraremos já a central do Pego, mas só em 2023 encerraremos a de Sines, porque só aí podemos contar para a segurança energética do país com o pleno funcionamento do complexo do Tâmega”, disse o primeiro-ministro.

De acordo com António Costa, a obra na qual a Iberdrola investirá 1500 milhões de euros até 2023 “vai produzir 4% do consumo nacional, vai ser responsável por 6% da capacidade de produção a nível nacional, e terá capacidade de armazenamento para manter a segurança do consumo, o que permite cumprir com confiança a meta de encerramento das centrais a carvão”.

Além do primeiro-ministro, também o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, visitou esta terça-feira, 28 de janeiro, o Sistema Eletroprodutor do Tâmega, em Ribeira de Pena. Trata-se de um dos maiores projetos hidroelétricos em Portugal, formado por três barragens e três centrais hidroelétricas. Duas das barragens estarão situadas no rio Tâmega (Daivões e Alto Tâmega) e a terceira no rio Torno (Gouvães).

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega, cujas obras estarão concluídas até 2023, representa um investimento total 1.500 milhões de euros. Com os seus 1.158 MW, aumentará em 6% a potência instalada em Portugal.

“Temos de chegar a 2030 com 80% de energia renovável no mix energético. Para alcançar isto, temos de incrementar a capacidade renovável e reduzir as fontes fósseis. Temos a oportunidade de otimizar o mix com base no solar eólico e hídrico. Esta obra que aqui estamos a fazer é fundamental pela energia que gera, mas pela segurança que dá a todo o sistema nacional. Como explicou o ministro do Ambiente, iremos ter aqui uma grande bateria natural. A reserva que aqui constituímos pode satisfazer as necessidades energéticas em dias sem sol, sem vento e em que possamos ter menos caudal de águia disponível”, garantiu Costa.

O chefe do Governo sublinhou a aposta do Governo socialista nas renováveis. “Muitos acharam que investir nas energias renováveis e nas alterações climáticas era um risco para o crescimento económico. Mas Portugal conseguiu baixar 8% o custo da energia em 4 anos, num período em que o preço subiu 6% na União Europeia. Isso aconteceu pela redução do défice tarifário e pelo facto de a evolução tecnológica ter permitido reduzir preço da energia renovável” nos últimos anos, rematou.

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