Administração Trump “preocupada” com chineses na EDP

O secretário de Estado da Energia da Administração Trump não nega que gostava de ver mais capital de empresas norte-americanas na estrutura acionista da EDP.

O secretário da Energia dos Estados Unidos, Dan Brouillette, reconheceu que a Administração do presidente norte-americano Donald Trump está a olhar com bastante preocupação para a presença do acionista chinês China Three Gorges na estrutura de capital da EDP, tendo em conta o crescimento da elétrica portuguesa no mercado norte-americano, sobretudo ao nível das energias renováveis.

É uma empresa fantástica. A preocupação é de que à medida que a EDP continua a crescer nos Estados Unidos, o que esperamos que aconteça, a presença de um acionista chinês possa trazer problemas à medida que o crescimento continue. É isso que vamos avaliar muito diretamente”, garantiu o secretário de Estado da Energia de Trump aos jornalistas em Lisboa, um dia depois de ter visitado o Porto de Sines e ter confirmado o interesse dos Estados Unidos em exportarem gás para a Europa, via Portugal.

O responsável pela Energia no Governo de Trump não esconde também o desejo de ver mais capital americano na EDP, para contrabalançar a presença chinesa. “Espero que as empresas americanas invistam na EDP. São líderes na indústria das renováveis. Queremos vê-los tornaram-se uma parte ainda maior do mercado americano. A estratégia energética do Presidente Trump baseia-se em vários cenários, que incluem não só o combustíveis fósseis, como o petróleo e o gás natural, mas também as energias solar e eólica, onde a EDP é uma grande empresa. No que diz respeito ao investimento chinês na EDP, de facto surge como um problema para nós nos EUA, tendo em conta a abordagem dos chineses em relação ao roubo de propriedade intelectual. Sabemos bem disso, outras nações também sabem, e as minhas conversas aqui em Portugal refletem e reconhecem isso, que os chineses têm sido muito agressivos no roubo de propriedade intelectual, até ao ponto de isso constituir um risco para a rede elétrica americana ou para a defensa nacional. Vamos abordar essas questões de forma direta e agressiva”, disse Brouillette, que antes de falar aos jornalistas portugueses este reunido com altos quadros de empresas que operam em Portugal, como o CEO da REN, Rodrigo Costa, o presidente da Endesa Nuno Ribeiro da Silva, além de responsáveis da EDP, Galp e da Confederação Empresarial de Portugal.

Sobre a REN, que é dona das infraestruturas de Sines, e também é detida em cerca de um quarto por acionistas chineses, Dan Brouillette, disse que cabe ao Governo português avaliar se isso apresenta ameaças críticas ao porto de águas profundas. Já sobre eventuais e potenciais ameaças às infraestruturas americanas, o secretário de Estado garantiu que “se for esse o caso, vamos abordá-las de forma direta”.

Questionado sobre se o Governo Trump tinha ficado aliviado com a rejeição da OPA chinesa à EDP, em 2019, o responsável do Executivo de Trump não comenta se “foi ou não um mau negócio”. “Nos EUA avaliamos se este tipo de investimentos representa riscos para a rede elétrica nacional ou infraestruturas. Mesmo com a manutenção de uma posição de 25% da China Three Gorges na EDP vamos avaliar de perto os riscos”. E se OPA tivesse ido avante isso, o futuro da EDP no mercado americano estaria em risco? “Potencialmente poderia estar, dependendo dos detalhes do negócio”.

Dan Brouillette disse também que vai em breve reunir com os responsáveis franceses e espanhóis para tentar desbloquear a construção de um gasoduto que atravesse os Pirinéus e ligue a Península Ibérica a França, para escoar o gás vindo do outro lado do Atlântico. Os Estados Unidos vão também tirar satisfações a Bruxelas pelo facto da construção deste gasoduto não ter sido considerada pela UE como um projeto de interesse comum, com acesso facilitado ao financiamento comunitário.

(Notícia atualizada às 15h00 com mais informação)

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