Suspensão de voos na Venezuela vai custar 10 milhões de euros à TAP

Companhia aérea tem dois voos por semana para o país, que estarão suspensos durante 90 dias. CEO garante que passageiros estão protegidos, mas há danos financeiros e reputacionais.

Acusada pelo Governo venezuelano de permitir o transporte de explosivos, a TAP está impedida de voar para a Venezuela durante 90 dias. O CEO Antonoaldo Neves garante que os passageiros estão protegidos, mas haverá danos financeiros e reputacionais, admite. O custo direto será de dez milhões de euros.

“São dez milhões de euros de prejuízos só dos 90 dias. Quem vai pagar a conta? Não posso enviar para a Venezuela essa conta”, disse o presidente do conselho de administração, Antonoaldo Neves, na conferência de imprensa de apresentação de resultados. “A TAP nunca aceitaria embarcar ninguém com o nome errado. É cómico, mas é trágico”.

Na passada semana, o Governo venezuelano acusou a TAP ter permitido o transporte de explosivos e de ter ocultado a identidade do líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, num voo para Caracas, violando padrões internacionais.

Segundo o Governo venezuelano, Juan Marquez, tio de Guaidó que acompanhava o sobrinho nesse voo, transportou lanternas de bolso táticas que escondiam substâncias químicas explosivas no compartimento da bateria.

A TAP cumpre rigorosamente tudo e nunca aceitaria embarcar ninguém com o nome errado“, afirmou Antonoaldo Neves. E associou o caso, tal como os custos com irregularidades a entraves para que a empresa obtenha lucros. “O custo que carregamos pela ineficiência do aeroporto de Lisboa ronda os 35 milhões“, disse apontando para a compensações por atrasos e para os dias que em que não pode operar devido a nevoeiro ou exercícios militares.

Naquele que foi um ano de investimento e transformação para a TAP, a empresa registou um prejuízo de 105,6 milhões de euros, tal como o ECO já tinha adiantado em primeira mão. Em comunicado, a companhia aérea justifica este desempenho (que melhorou ligeiramente face a 2018) com o investimento de mais de 1,5 mil milhões de euros na renovação da frota.

(Notícia atualizada)

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