Nos lucra mais, mas premium trava receitas. Corta dividendos

A operadora liderada por Miguel Almeida aumentou lucros, mas as receitas cresceram muito ligeiramente. Os dividendos vão encolher, mas a Nos vai dar todos os resultados obtidos aos acionistas.

A Nos aumentou os lucros, mas as receitas cresceram muito ligeiramente em resultado da fraca adesão aos canais desportivos premium. Perante estes resultados, e também na perspetiva dos investimentos necessários no 5G, a empresa liderada por Miguel Almeida decidiu cortar os dividendos. Ainda assim, vai dar todos os lucros aos acionistas.

Os resultados líquidos consolidados nos 12 meses de 2019 “atingiram 143,5 milhões de euros, um acréscimo de 4,2% face ao verificado em 2018″, de 137,8 milhões, diz a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). “O EBITDA atingiu 641,1 milhões de euros, crescendo 2,7%, com a margem EBITDA a melhorar 0,5 pontos percentuais para 40,1%”, à boleia do número de serviços e de “ganhos de eficiência significativos”.

A evolução positiva verificou-se também nas receitas, embora neste caso o crescimento tenha sido modesto. “As receitas registaram um aumento de 1,5%, com a área de telecomunicações e a área de cinema e audiovisuais a apresentarem evoluções positivas face a 2018″, diz a empresa liderada por Miguel Almeida.

“A Nos registou, em 2019, receitas totais de 1,599 mil milhões de euros“, acrescenta, salientando que “as receitas de telecomunicações atingiram 1,522 mil milhões de euros neste período, mais 1,1% que no exercício anterior, apesar do impacto menos positivo provocado pela redução das tarifas de terminação e pela diminuição de consumo de canais desportivos premium“.

"A Nos aprovou uma proposta de dividendo por ação de 27,8 cêntimos de euro, representando 100% do resultado consolidado líquido gerado em 2019.”

Nos

“A área de cinema e audiovisuais registou uma forte recuperação no segundo e terceiro trimestre e um abrandamento no quarto trimestre. No entanto, considerando a totalidade de 2019, registou um crescimento das receitas no acumulado de 6,5%, para 118,8 milhões de euros”, conclui.

Mais investimento, mais dívida. E menos dividendos

2019 foi ano de crescimento dos resultados, mas também de “um forte investimento, em particular na área de telecomunicações”, diz a empresa. “Os investimentos centraram-se sobretudo na expansão das suas redes de comunicação de nova geração fixa e móvel, criando condições para uma melhoria da qualidade do serviço prestado aos clientes”, salienta.

O Capex total atingiu, no ano passado, “374,4 milhões de euros, dos quais 99,7 milhões de euros foram realizados no último trimestre”, o que acabou por fazer aumentar o endividamento da empresa. “No final do período em análise, a dívida financeira líquida situou-se nos 1.094 milhões de euros, mais 4,9% que em 2018, representando 1,9x o EBITDA, um rácio conservador face às congéneres do setor”. Apesar de “conservador”, a empresa decidiu cortar os dividendos.

“O Conselho de Administração da Nos aprovou uma proposta de dividendo por ação de 27,8 cêntimos de euro, representando 100% do resultado consolidado líquido gerado em 2019 e um dividend yield de 6,2% à data desta divulgação de resultados”, diz a Nos. No ano passado, com base nos lucros de 2018 pagou 35 cêntimos por ação.

“Pese embora a estrutura de capital da Nos ainda se encontre dentro do limiar de 2x a dívida financeira líquida/EBITDA após leasings, e a robustez do desempenho operacional e financeiro, o Conselho de Administração aprovou uma proposta de dividendo que seja mais consentânea com as limitações atuais em torno da visibilidade das potenciais implicações operacionais e financeiras dos termos do próximo leilão de espetro 5G, que apenas serão conhecidos mais tarde, no decorrer deste ano”, diz em comunicado.

“Ano crítico”, mas encarado com “confiança absoluta”

Miguel Almeida destaca os “passos importantes neste processo de criação da nova Nos, em todas as suas frentes, da tecnologia aos processos, do ambiente à diversidade, passando naturalmente, de forma muito central, pela relação com os nossos clientes”. “Fizemo-lo assegurando a continuação do percurso
de crescimento e melhoria de rentabilidade que iniciámos há seis anos”, salienta, na mensagem que acompanha os resultados.

Mas ao mesmo tempo que revela orgulho no caminho trilhado até ao final de 2019, o CEO promete, este ano, “acelerar o ritmo de transformação interna”, mesmo antecipando um “ano crítico na frente externa, com vários processos que formatarão uma parte importante do nosso futuro”. Uma afirmação seguida, de imediato, por uma crítica à “injustificada e desadequada hostilidade regulatória”, referindo-se à Anacom. Ainda assim, a Nos encara “o futuro com absoluta confiança”.

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