AGCS passa de lucros a prejuízo anual de 284 milhões

  • ECO Seguros
  • 23 Fevereiro 2020

Principal unidade da Allianz para riscos globais e linhas de seguro no segmento corporate, a AGCS justifica as perdas com a constituição de reservas para gerir exposição prolongada a riscos.

A AGCS encerrou o exercício com 9,1 mil milhões de euros em valor bruto de prémios emitidos, cerca de 11,2% mais do que no ano anterior, conseguindo crescer mais de 10% (em média) no conjunto das 10 linhas de seguro em portefólio, incluindo renovações e 1,7 mil milhões de euros em novos contratos.

O acréscimo no volume de prémios emitidos compensou critérios mais apertados em novas subscrições e a redução da exposição a partes do negócio, mas não impediu 284 milhões de euros de prejuízo operacional em 2019, contra um resultado positivo de 282 milhões no ano precedente, revelam números da Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS).

O rácio combinado (indicador que já vinha de situação negativa ao fixar-se em 101,5%, em 2018), alcançou os 112,3% no final de 2019, apresentando uma deterioração de 10,8 pontos percentuais (pp). Segundo explica a companhia em comunicado, “o contexto de indemnizações vindo do ano anterior por exposição [a riscos] de duração mais prolongada deteriorou-se” em 2019.

Este ambiente pressionou a atividade de subscrição e obrigou a mobilizar 591 milhões de euros para reservas, revela o documento. O esforço anulou os ganhos do ano anterior e impacta negativamente o balanço de 2019.

Enquanto as perdas relacionadas com catástrofes diminuíram face a 2018, verificou-se um incremento significativo das indemnizações por sinistros, nomeadamente na cobertura de responsabilidades contratuais, aviação e engenharia, concretiza a AGCS. A cobertura de riscos financeiros (no Reino Unido e Austrália); os custos com recall’ de produtos na Europa e despesas em linhas de responsabilidades gerais no mercado norte-americano foram determinantes para agravar o resultado técnico.

No entanto, a entidade salienta que apesar de algum decréscimo na rentabilidade dos investimentos, a gestão mais criteriosa da despesa ajudou, de alguma forma, a atenuar o desempenho negativo.

A AGCS, marca criada em 2006 como subsidiária integralmente detida pela Allianz SE, dispõe de equipas especializadas em 33 países, beneficiando ainda da estrutura global da Allianz, cuja rede e parcerias abrangem cerca de 200 países e territórios por todo o mundo.

Allianz SE alcança lucro operacional recorde

Apesar dos números desfavoráveis da sua unidade global especialista na gestão de risco e soluções à medida em 10 linhas de seguro Property-Casualty (P&C) para o mercado corporate, o grupo Allianz fechou o exercício de 2019 com um lucro operacional recorde.

Em comunicado, a companhia alemã de seguros e gestão de ativos fixa as receitas anuais consolidadas em 142,2 mil milhões de euros, 7,6% acima do alcançado um ano antes, com o lucro operacional a crescer 3%, para 11,85 mil milhões um valor recorde na história da Allianz SE.

O negócio Vida e Saúde foi o segmento em destaque em termos do crescimento de lucro operacional, sobretudo pelo acréscimo de volumes (receita total subiu 8,5%, para 76,4 mil milhões de euros). Além do negócio Vida e Saúde, o que tem maior expressão no balanço consolidado da Allianz, os seguros P&C contribuíram com 59,2 mil milhões de euros para a receita do grupo (+6,8% do que em 2018).

De acordo com os dados do balanço da matriz, as reservas para suprir eventuais necessidades da AGCS tiveram reflexo direto no resultado do segmento P&C do grupo e também se refletiu no rácio combinado desta atividade, o qual se deteriorou em 1,5 pp, face ao nível de 2018, para se fixar nos 95,5%.

A parcela seguinte do balanço mostra que o aumento das margens obtidas com investimentos e os ganhos gerados com operações não recorrentes (nos EUA) também beneficiaram a melhoria do resultado anual da Allianz.

A área de gestão de ativos (operação que é parcialmente partilhada com a Pimco) foi a terceira maior fonte de receitas (7,2 mil milhões de euros, a crescer 6,4% face a 2018) sendo também a terceira que mais contribuiu para o resultado operacional (2,7 mil milhões de euros, ou quase 7% acima do apurado um ano antes).

Assim, de acordo com as contas (ainda preliminares), a Allianz concluiu o exercício com lucros líquidos de 7,9 mil milhões de euros (+6,1% em variação homóloga), elevando o lucro por ação (eps) para um recorde de 18,90 euros por ação. A rentabilidade de capitais próprios (RoE) fechou o ano em 13,6% e, de acordo com a informação divulgada, o rácio de requisito de capital de solvência (‘Solvência II’) recuou cerca de 17 pp face a 2018, para 212%.

Mas, a Allianz adianta também que o valor do dividendo a distribuir dos lucros de 2019 será aumentado e que, em 2020, serão aplicados até 1,5 mil milhões de euros em recompras de ações próprias (share buyback), replicando o montante de recompras já realizadas em 2019, sempre com o objetivo de melhorar a remuneração dos seus acionistas.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

AGCS passa de lucros a prejuízo anual de 284 milhões

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião