Bruxelas prepara-se para “no deal” em negociações com Londres

  • Lusa
  • 27 Fevereiro 2020

Depois de o Reino Unido ter admitido abandonar negociações com a UE para um acordo pós-Brexit, a Comissão Europeia garantiu estar a preparar-se para um cenário de no deal.

A Comissão Europeia garantiu esta quinta-feira estar a preparar-se para um cenário de no deal nas negociações sobre o futuro relacionamento comercial com o Reino Unido, mas sublinhou esperar um acordo “positivo e útil” entre Bruxelas e Londres.

“A Comissão vai continuar a preparar-se para um cenário de no deal [falta de acordo] no âmbito dessas negociações, mas vai também preparar-se para um cenário útil e positivo”, declarou a porta-voz do executivo comunitário Dana Spinant, falando na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas.

Questionada na ocasião sobre o texto publicado esta quinta-feira esta manhã pelo Reino Unido, no qual o governo britânico admite abandonar as negociações com a UE para um acordo pós-Brexit se não houver progressos até junho, a responsável do bloco comunitário insistiu: “A Comissão vai manter o seu foco e preparar-se para um resultado positivo das negociações e vai continuar a informar os cidadãos e as empresas sobre quais as medidas necessárias em caso de no deal”.

Dana Spinant frisou ser, para já, “prematuro especular sobre o resultado dessas negociações, que só começam na segunda-feira”.

E, apesar de se escusar a “comentários extensos” ao texto britânico, por ter sido publicado há pouco, a porta-voz saudou a data estipulada pelo governo do Reino Unido.

“Relativamente aos prazos hoje [quinta-feira, 27 de fevereiro] apontados pelo Reino Unido, há uma reunião de balanço em meados deste ano, em junho, para avaliar onde estamos nas negociações, por isso esse prazo estipulado pelo primeiro-ministro Boris Johnson é justo”, referiu Dana Spinant.

Num documento de 40 páginas que estabelece a posição inicial do Reino Unido para as negociações de um acordo de comércio com a UE, que começam na próxima semana, o bloco britânico manifesta empenho em “trabalhar de maneira rápida e determinada” até junho, altura para a qual está marcada uma cimeira de alto nível para avaliar os progressos.

Por seu lado, o governo britânico identifica como principal ponto de discórdia a exigência da UE de respeito pelas regras e leis europeias pós-Brexit, propondo em alternativa um “relacionamento baseado na cooperação amigável entre iguais soberanos, com ambas as partes respeitando a autonomia legal e o direito de gerir os seus próprios recursos como entenderem”.

Boris Johnson já tinha dado a conhecer a preferência por um acordo de comércio livre semelhante ao que a UE tem com o Canadá, que permite eliminar as tarifas aduaneiras sobre a maior parte dos produtos.

Porém, este modelo de acordo não remove completamente barreiras regulatórias nem garante um acesso total ao mercado único incluindo na área dos serviços, que representa uma parte importante da economia britânica.

Os 27 Estados-membros da UE, reunidos na terça-feira ao nível de um Conselho de Assuntos Gerais, deram ‘luz verde’ formal à Comissão Europeia para iniciar as negociações com Londres visando uma “parceria ambiciosa, abrangente e equilibrada” com o Reino Unido, em “benefício de ambos os blocos”.

As negociações entre as duas equipas de negociadores arrancam na próxima segunda-feira, em Bruxelas, naquela que é a primeira ronda de negociações e se prolonga até quinta-feira, devendo a segunda ronda ter lugar ainda em março, em Londres. As rondas negociais serão realizadas alternadamente em Bruxelas e em Londres.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Bruxelas prepara-se para “no deal” em negociações com Londres

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião