Covid-19 e interrupção de negócio expõem seguradoras a risco reputacional diz Moody´s

  • ECO Seguros
  • 22 Março 2020

Seguradoras que operam na Alemanha, França e Reino Unido estão relativamente salvaguardadas face a gastos diretos com interrupção de negócios por causa da pandemia, mas restam outros efeitos.

A generalidade das apólices comerciais subscritas por seguradoras que operam em três dos maiores mercados da Europa não cobre interrupção de negócios motivada por crises pandémicas. Mas, apesar de exposição limitada em termos de indemnizações diretas, as seguradoras poderão sofrer impacto reputacional caso o volume de pedidos de compensação cresça.

A agência de notação financeira Moody’s refere os casos das seguradoras Aviva, Axa, RSA e mesmo do agrupamento Lloyd´s of London que oferecem seguros para interrupção de negócio no Reino Unido, mas excluem a cobertura para pandemias. Esta ideia corrobora informação já veiculada pela Associação Britânica de Seguradores, segundo a qual a percentagem de clientes que terão contratado cobertura para encerramento forçado dos seus negócios é bastante baixa, mesmo entre grandes empresas.

Porém, de acordo com o Insurance Journal, uma nota de análise da Moody’ s Investors Services salienta que, embora com exposição limitada em termos de indemnizações diretas, as seguradoras poderão sofrer impacto reputacional caso o volume de pedidos de compensação cresça em proporção do número de tomadores de seguro não esclarecidos sobre a exclusão do risco de pandemia.

Em França, de acordo com a federação de seguros (FFA), a quase totalidade de apólices comerciais exclui indemnizações a reclamações ligadas a pandemia, refere a agência de notação financeira referindo-se ainda ao apelo de solidariedade lançado pelo governo francês como um fator suscetível de alterar o cenário.

Na Alemanha, o seguro que protege as empresas também limita as compensações a riscos como incêndio, roubo, danos causados por elementos da natureza, mas não obriga a indemnizar perdas ligadas a pandemias. Poucas empresas terão contratado a cobertura para risco de doenças transmissíveis, explica a Moody’ s citando a autoridade local de supervisão Gesamtverband der Deutschen Versicherungswirtschaft (GDV).

Na semana passada, a Fitch Ratings emitiu uma nota de análise reafirmando a robustez financeira de longo prazo em “AA-“ e perfil de crédito em “AA” e perspetiva estável para a Allianz SE. A apreciação da Fitch sustenta-se na solidez do balanço e rentabilidade técnica ostentada pelo grupo germânico. Por isso, a agência estendeu a avaliação positiva a diversas subsidiárias europeias.

Outras instituições como a Munich Re e a Swiss Re já foram solicitadas para vir ao mercado assegurar os investidores de que a pandemia terá impacto limitado no negócio.

Na Suíça, por exemplo, o impacto da crise sanitária é abordado na ótica das reservas de capital e liquidez em função do que acontece nos mercados de capitais, nomeadamente com ativos de investimento. A entidade local de supervisão (Finma) terá convocado a Zurich Insurance, Swiss Life e Swiss Re com o objetivo de garantir monitorização conjunta da evolução nos mercados financeiros.

AM Best degrada notas de avaliação de seguradoras nos EUA

Do outro lado do Atlântico, nos EUA, as seguradoras do ramo vida tentam prevenir a sua exposição ao risco da pandemia pela Covid-19, impondo períodos de espera a potenciais tomadores de seguros que regressam de destino com surtos generalizados, como China, Irão, Coreia do Sul e países da Europa, como Itália e Alemanha.

A American International Group (AIG) assumiu que adiaria por 30 dias decisões sobre pedidos de seguros de vida de clientes que viajaram para as regiões mais afetadas, reporta a Reuters. O Lincoln Financial Group já impôs um período de espera de 30 dias antes de emitir apólices para a maioria dos candidatos que viajaram para essas regiões, disse um porta-voz.

A disseminação do vírus pelos Estados Unidos poderia empurrar as seguradoras para medidas draconianas, disse Tim Luedtke, um atuário e professor da Temple University, de Filadélfia. As agências de notação de crédito AM Best e Fitch Ratings degradaram perspetivas para as seguradoras de vida dos EUA de estável para negativas.

Nas últimas semanas, a AM Best reviu em baixa as notações de crédito de diversas seguradoras norte-americanas, entre outras, a Providence Mutual, Jackson Life Insurance e Guardian Insurance.

A desvalorização de ativos em mercados mobiliários (bolsas) e os recentes cortes nas taxas de juros vão pressionar rentabilidades de investimento, reservas e capital das seguradoras de vida, sustenta a Fitch Ratings numa nota de research antecipando ainda que o ramo Vida deverá enfrentar um potencial pico de mortes causadas pela pandemia.

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