Ações do Benfica suspensas. CMVM chumbou a OPA

Supervisor dos mercados suspendeu a negociação enquanto espera mais informações, porque considera que há um financiamento da SAD ao clube para lançar a OPA.

As ações do Sport Lisboa e Benfica SAD foram suspensas na bolsa de Lisboa. A decisão foi anunciada esta segunda-feira pelo Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) numa altura de forte incerteza sobre o futuro da oferta pública de aquisição (OPA) lançada pelo clube ao capital da SAD.

Segundo noticia a TVI (acesso livre), e que o ECO também já confirmou, a CMVM notificou o clube às 12h51 desta segunda-feira que chumbou a operação por considerar que a oferta do clube seria, na prática, financiada pela própria SAD alvo da OPA e isso teria de ser anunciado ao mercado e aos investidores. O clube ainda pode reformular a operação, tem dez dias para responder, e a CMVM espera agora novas informações.

“O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) deliberou, nos termos do artigo 214º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213º do Código dos Valores Mobiliários a suspensão da negociação das ações da Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD, aguardando a divulgação de informação relevante ao mercado“, comunicou o supervisor ao mercado.

Antes da suspensão, as ações do Benfica afundavam 8,47% na bolsa de Lisboa para 2,70 euros. Este valor fica até abaixo dos 2,76 euros a que negociavam os títulos antes do lançamento da oferta pública de aquisição (OPA), em novembro.

Na altura, o clube anunciou querer ficar com praticamente a totalidade do capital da SAD, oferecendo 5,00 euros por cada ação que não detém. A operação, que era justificada com o objetivo de evitar uma intervenção indesejada de um acionista minoritário, continuava até agora em aberto e sem ter recebido a aprovação da CMVM.

Ao longo dos últimos meses, o supervisor questionou o Benfica sobre aspetos concretos da oferta, nomeadamente eventuais conflitos de interesses por causa das relações empresariais entre José António dos Santos (o maior acionista individual do Benfica) e o presidente do clube, Luís Filipe Vieira, e as respostas não terão sido consideradas suficientemente claras.

Vieira garante que o clube da Luz tem efetuado um “cumprimento rigoroso da lei” e colaborado com as autoridades. No entanto, o impasse mantém-se e a decisão de suspender agora as ações poderá indicar que a OPA estará mesmo à beira do fim.

O Jornal Económico (acesso livre) noticiou, na sexta-feira passada, que o clube estaria já a ponderar retirar a OPA devido a alterações imprevisíveis e substanciais das circunstâncias associadas aos efeitos do coronavírus nos mercados financeiros.

(Notícia atualizada às 11h30)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Ações do Benfica suspensas. CMVM chumbou a OPA

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião