É oficial. Benfica pede à CMVM para desistir da OPA

Agora é mesmo oficial. O Benfica quer desistir da OPA parcial sobre a SAD do clube. A justificação é a crise do coronavírus e avisa que vai reavaliar compra e venda de jogadores.

A Benfica SGPS desistiu da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada a 18 de novembro para reforçar o controlo da SAD do clube. Em comunicado ao mercado a anunciar o pedido de revogação da OPA à CMVM, o Benfica justifica esta decisão pelas alterações das circunstâncias motivadas pelo novo coronavírus. O campeonato está suspenso e por isso as contas da SAD vão degradar-se neste segundo semestre do ano.

“Este requerimento foi formulado ao abrigo ao artigo 128.º do Código dos Valores Mobiliários (por remissão do artigo 130.º, n.º 1 do mesmo Código), tendo por conta a alteração das circunstâncias determinadas pela pandemia associada ao novo Coronavírus – COVID19 e os impactos da mesma, diretos e indiretos”, escreve o Benfica no comunicado.

Esta segunda-feira, a CMVM tinha questionado as condições de financiamento da oferta, considerando que era a própria SAD a financiar a SGPS, e por isso chumbou, de forma preliminar, a OPA parcial. Mas a Benfica SGPS ainda tinha dez dias para se pronunciar sobre esta decisão. Mesmo discordando do entendimento do supervisor, a administração do clube decidiu pedir à CMVM o cancelamento da oferta, avaliada em cerca de 32 milhões de euros, por causa das consequências do novo coronavírus na economia e no negócio do futebol, em particular.

O Benfica garante que já estava há duas semanas a discutir com a CMVM os termos em que a oferta poderia ser cancelada. “A revogação da Oferta já vinha sendo discutida com a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários desde que se tornou do conhecimento público, no dia 12 de março de 2020, a suspensão do campeonato nacional de futebol – Liga NOS”.

No contexto desta crise, a administração da SAD do Benfica faz um aviso ao mercado, aos investidores, mas tamném aos adeptos. Admite que é “previsível a redução de custos e despesas não indispensáveis ao desenvolvimento dessa atividade e a ponderação acrescidamente cuidada de todos os investimentos que estavam projetados”. E esta avaliação vai exigir uma analise mais cuidada das “transações de atletas (…) tendo em vista promover e preservar na maior medida possível os ativos essenciais da Benfica SAD e assegurar a sua sustentabilidade, atendendo aos interesses de longo prazo dos seus acionistas e ponderando os interesses dos seus trabalhadores e demais stakeholders”.

A OPA, recorde-se, estava há meses ‘parada’ na CMVM. Anunciada em novembro do ano passado, o Benfica propunha-se pagar 5 euros por ação da SAD que não controlava, mas o principal acionista individual, o empresário José António Santos, tem também negócios cruzados com o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira.

Este era um dos pontos sob investigação da CMVM. Mas não só. Passados estes meses, o supervisor considerou que o modelo de financiamento do clube para realizar aquela oferta não era ilegal, mas deveria ter sido comunicado ao mercado. Porquê? Porque assentava em contratos entre a Benfica Estádio, controlada pela Benfica SGPS, a oferente, e a própria SAD do Benfica. Argumento que o Benfica contesta — pode ler aqui os detalhes dessa argumentação — e que não terá sido a justificação para o fim desta operação.

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