Covid-19: Molaflex da Feira suspende produção até abril. BE fala em 150 despedidos

  • Lusa
  • 25 Março 2020

A Molaflex decidiu suspender a produção até 19 de abril,, justificando falta de matéria-prima. BE acusa a empresa de "má fé" por aproveitar lay-off para despedir 150 trabalhadores.

A Molaflex Colchões S.A., instalada em Santa Maria da Feira, suspendeu a produção até 19 de abril, alegando falta de matéria-prima, mas o BE disse esta quarta-feira que o lay-off também integra o “despedimento de 150 trabalhadores”.

Em documento a que a Lusa teve acesso, a direção dessa unidade industrial do distrito de Aveiro afirma que “a empresa encontra-se numa situação de crise empresarial determinada pela paragem total da sua atividade em resultado da interrupção das cadeias de abastecimento globais, o que impede o fornecimento e funcionamento da fábrica e, consequentemente, de toda a estrutura comercial e produtiva da Molaflex”.

A situação é agravada pelo facto de muitos dos trabalhadores da empresa residirem em Ovar e estarem ausentes do emprego devido à obrigatoriedade de permanecerem no domicílio durante a vigência do estado de calamidade pública decretado nesse concelho, devido à pandemia da covid-19.

Acresce ainda que os principais clientes da Molaflex “deixaram já de laborar, sendo expectável que os restantes clientes deixem de trabalhar num curtíssimo espaço de tempo”. Por tudo isso, diz o documento, a “Molaflex vê-se na necessidade imperiosa de suspender a sua atividade”.

A direção da empresa diz que, “quer pela quebra no fornecimento de matérias necessárias e imprescindíveis ao fabrico, quer pela suspensão da atividade dos clientes, implicando cancelamento das encomendas, não se encontram reunidas condições para continuar a trabalhar”.

O documento acrescenta que a medida vigorará até 19 de abril, prazo “eventualmente prorrogável”, e adianta que irá requerer às autoridades “o apoio extraordinário à manutenção dos postos de trabalho”, o que consistirá na atribuição à empresa de “um apoio financeiro por trabalhador, destinado exclusivamente ao pagamento de remunerações”.

Sobre o mesmo tema, a coordenação distrital de Aveiro do BE disse esta quarta-feira que a empresa está a usar de má-fé, aproveitando o argumento da falta de matéria-prima e outros para fazer um despedimento coletivo entre os seus 350 funcionários.

Chegou ao conhecimento do BE que a Molaflex Colchões S.A. despediu 150 trabalhadores de empresas de trabalho temporário“, afirma fonte do partido.

Para o BE, isso é “uma clara violação da legislação existente, já que algumas destas pessoas trabalhavam na empresa há cerca de sete a oito anos, sempre através de empresas de recrutamento, quando, na realidade, ocupavam postos de trabalho permanentes”.

O partido nota igualmente que, “ainda durante a passada semana, a empresa quis obrigar todos os trabalhadores a irem de férias, mas eles recusaram”.

O partido defende, por isso, que a situação “revela uma clara má-fé por parte da Molaflex, que ao longo dos últimos anos tem tido milhões de euros de lucro e ainda recebeu uma série de apoios da União Europeia, do Estado Português e da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira”.

A Lusa procurou contactar a Molaflex da Feira e também a de São João da Madeira, mas nenhuma unidade atendeu os telefonemas.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Covid-19: Molaflex da Feira suspende produção até abril. BE fala em 150 despedidos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião