Mais de 760.000 espanhóis em “desemprego temporário” devido ao coronavirus

O decreto que regula o mecanismo para o "desemprego temporário" em Espanha foi aprovado há cerca de uma semana.

Já existem, pelo menos, 762.011 trabalhadores espanhóis em “desemprego temporário” devido ao impacto económico do coronavírus. Isto acontece cerca de uma semana depois de ter sido publicado o decreto que regula este novo mecanismo.

Os dados, que são parciais porque ainda só se referem a sete comunidades autónomas e ao Ministério do Trabalho, mostram que 37% de todas as pessoas afetadas estão na Catalunha, adianta o La Vanguardia (acesso livre, conteúdo em espanhol).Nessa região, já foram foram enviados 30.781 processos que afetam 271.432 funcionários, quase 8% de todos os trabalhadores na comunidade.

Entre os processos que afetam mais trabalhadores e que foram conhecidos esta semana destacam-se a cadeia de equipamentos desportivos Decathlon, que envolve 8.000 trabalhadores, a rede de lojas Fnac, com 1.627 trabalhadores, e a fábrica da PSA em Vigo, que diz respeito a 7.400 funcionários.

Os sindicatos de trabalhadores do país alertam para que a maioria das empresas recorre a este mecanismo justificando com motivos de “força maior”. Quando este motivo é invocado, são evitadas as negociações com os representantes legais dos trabalhadores, e, se não obtiverem resposta em cinco dias, o pedido é automaticamente aceite.

De acordo com o jornal espanhol, no âmbito deste novo regime, o trabalhador recebe o subsídio de desemprego, mesmo que não tenha cumprido o prazo de garantia, isto é, que não tenha o período mínimo de descontos para a Segurança Social exigido, normalmente, para aceder a este tipo de apoio. Por outro lado, estes trabalhadores não entram para as estatísticas oficiais do desemprego, uma vez que de certa forma continuam ligados aos empregadores.

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