Centro Europeu admite uso generalizado de máscaras em locais com muita gente

  • Lusa
  • 9 Abril 2020

Centro Europeu de Doenças admite o uso generalizado de máscaras, principalmente em locais fechados com muita gente, como centros comerciais, supermercados e transportes públicos.

O Centro Europeu de Doenças admite o uso generalizado de máscaras pela população em locais fechados e com muita gente, apenas como complementar à etiqueta respiratória e distância de segurança para reduzir a transmissão de Covid-19.

Num relatório técnico agora divulgado, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) alerta que com o uso das máscaras há o risco de uma falsa sensação de segurança porque pode levar as pessoas a distraírem-se, por exemplo, da distância física, alertando também que é importante saber remover a máscara e que a remoção de forma errada pode aumentar o risco.

“Existe o risco de que a remoção inadequada da máscara, o manuseio de uma máscara contaminada ou uma tendência maior de tocar na cara durante o uso de máscaras por pessoas saudáveis possa realmente aumentar o risco de transmissão”, alerta.

Aconselha a que qualquer recomendação sobre o uso de máscaras faciais na comunidade “leve em consideração a falta de evidência, a oferta deste material e os possíveis efeitos colaterais negativos”.

“Não se sabe o quanto o uso de máscaras na comunidade pode contribuir para uma diminuição na transmissão, para além das outras medidas”, frisa.

Assim, admite o uso em locais fechados com muita gente, como centros comerciais e supermercados, quando se usa os transportes públicos e em certas procissões, como os elementos das forças de segurança e comerciantes que atendem ao público, se não estiverem por detrás de um vidro/acrílico de proteção.

Os peritos do ECDC defendem também que o uso de máscaras médicas pelos profissionais de saúde deve ter prioridade sobre o uso na comunidade.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças sublinha que o uso de máscaras faciais na comunidade deve ser considerado “apenas como uma medida complementar e não como uma substituição das principais medidas preventivas recomendadas para reduzir a transmissão na comunidade”, como o distanciamento físico, o ficar em casa quando estiver doente, o teletrabalho, a etiqueta respiratória, a higiene frequente das mãos e o evitar tocar no nariz, olhos e boca.

Quanto ao uso de máscaras faciais médicas por todos os profissionais de saúde que não prestam atendimento a pacientes com Covid-19, o ECDC diz que pode igualmente ser considerado como uma medida adicional para reduzir a transmissão da doença em ambientes de saúde.

“Não foram definidas estratégias ótimas, mas qualquer estratégia precisa de levar em consideração a disponibilidade de máscaras médicas, a extensão da transmissão da comunidade e as contramedidas atualmente em vigor. Vários estabelecimentos de saúde europeus já exigem que todo o pessoal de saúde use uma máscara médica durante o trabalho, refere a nota do ECDC.

A propósito da falta de material de proteção, sobretudo máscaras, o ECDC diz que o uso de máscaras faciais não médicas, feitas de vários tecidos, pode ser considerado, “especialmente porque as máscaras médicas devem ser priorizadas para uso como equipamento de proteção individual pelos profissionais de saúde”

Contudo, lembra que esta recomendação se baseia “em evidências indiretas limitadas” quanto ao uso de máscaras faciais não médicas “como meio de controlo na origem”.

Diz que existem evidências “indiretas e limitadas” que mostram que as máscaras faciais não médicas feitas de vários materiais “podem diminuir a liberação no ambiente de gotículas respiratórias produzidas pela tosse”, mas sublinha que estas máscaras são menos eficazes do que as médicas como meio de controle da fonte de transmissão.

“Não existem padrões estabelecidos para máscaras faciais não médicas. Uma das vantagens das máscaras não médicas feitas de tecido ou outros tecidos é que elas podem ser feitas facilmente e podem ser lavadas e reutilizadas”, refere o ECDC, sublinhando que várias máscaras faciais não médicas demonstraram ter “uma eficiência de filtro muito baixa (2–38%)”.

Para fins de comunicação, “é importante enfatizar que as pessoas que usam máscaras na comunidade desejam proteger os seus concidadãos, no caso de estarem infetadas”.

“Usar uma máscara não deve ser mal interpretado (…). Usar uma máscara não é um ato de egoísmo e deve ser promovido como um ato de solidariedade”, sublinha.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) disse na segunda-feira que se mantém alinhada com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e com o ECDC sobre a utilização de máscaras pela generalidade da população e que está a analisar pareceres que pediu sobre esta matéria.

Os últimos dados indicam que Portugal regista 380 mortes e 13.141 casos de infeções confirmadas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia do Covid-19, já infetou mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 86 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 280 mil são considerados curados.

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