Fábrica de cosméticos inicia atividade a produzir desinfetante para as mãos

  • Lusa e ECO
  • 9 Abril 2020

Empresárias do interior viram na crise provocada pela pandemia uma oportunidade de negócio e decidiram orientar provisoriamente a produção para algo atualmente com muita procura.

Uma nova fábrica na Covilhã tinha planeado começar a produzir cosméticos e dispositivos médicos no primeiro semestre deste ano, mas o Covid-19 fez a empresa antecipar a instalação da maquinaria e começar a trabalhar num produto que não estava previsto, uma solução hidroalcoólica.

O desinfetante para mãos acabou, inesperadamente, por ser o primeiro artigo da Pharmapoli, com marca própria, quando a filosofia do projeto é fabricar para terceiros, desde batons a cremes, géis ou pomadas.

Ana e Rita Palmeira de Oliveira, duas irmãs doutoradas em Ciências Farmacêuticas, viram na crise provocada pela pandemia uma oportunidade e, em vez de lhes criar problemas, decidiram orientar provisoriamente a produção para algo atualmente com muita procura.

“Não tínhamos previsto arrancar com biocidas. O enquadramento atual representou um desafio e reconvertemos de imediato a produção”, sublinha, em declarações à agência Lusa, Rita Palmeira, uma das fundadoras da Health Products Research and Development (HPRD), detentora da Labfit e agora da Pharmapoli, localizadas no distrito de Castelo Branco.

A procura tem sido muita e a marca, a funcionar em instalações provisórias e ainda sem todo o equipamento previsto, já está a ponderar avançar para outros desinfetantes, como é o caso do gel.

Os pedidos multiplicam-se. Desde particulares a empresas, farmácias, lares, misericórdias. A maior dificuldade tem sido a aquisição de álcool.

O primeiro lote, de 12 litros, que serviu para otimizar procedimentos, foi escoado de imediato, na região. As duas empresárias aguardam a chegada de mais matéria-prima, esta semana, para começarem a trabalhar numa nova remessa, de 300 litros, para a qual já tiveram “muitas manifestações de interesse“, frisa Ana Palmeira de Oliveira, segundo a qual “se mais houvesse, mais se vendia”.

A empresária enfatiza terem arrancado com o biocida para dar resposta a uma necessidade premente no mercado e acentua estarem a praticar “um valor justo”.

“Nós temos conhecimento técnico, temos máquinas e temos capacidade de dar uma resposta a esta necessidade, daí termos feito esta restruturação do plano da empresa”, refere Ana Palmeira de Oliveira, que informa estarem quatro pessoas diretamente ligada ao projeto.

A primeira preocupação foi tratar dos procedimentos legais. Um processo “muito rápido”, sinal do “esforço e empenho que todas as estruturas nacionais estão a fazer no sentido de isto ser ultrapassado da maneira mais célere”, elogia a empresária.

A Pharmapoli ainda não sabe se os biocidas vão integrar a oferta da marca após a pandemia, uma vez que “o plano original será sempre mantido”. Vai depender da procura.

Neste primeiro momento, foram investidos 20 mil euros, mas a intenção é, em setembro, começar a construir uma fábrica de raiz, que representa um investimento de 765 mil euros e, numa primeira fase, a criação de cinco novos postos de trabalho.

Com a inclusão de equipamento para os laboratórios da Labfit, para inovação produtiva, esse valor ascende a um milhão de euros, adianta Rita Palmeira de Oliveira.

 

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