FMI prevê que dívida da Grécia chegue aos 200% do PIB este ano

Dois anos após ter dito adeus à troika, a Grécia volta a enfrentar uma crise, desta vez mundial. Com o PIB a cair a pique e o défice a disparar, a dívida pública vai superar os 200% do PIB.

200,8% do PIB. É esta a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o rácio da dívida pública da Grécia em 2020, segundo o Fiscal Monitor divulgado esta quarta-feira.

Num só ano, a dívida pública da Grécia vai aumentar 21,6 pontos percentuais, passando de 179,2% do PIB para os 200,8%, barreira que ultrapassa pela primeira vez. Tal como acontecerá em praticamente todos os países, será o efeito conjugado da queda de 10% do PIB e a subida do défice para os 9% a ditar esta subida repentina do endividamento público.

Este choque intenso nas contas públicas gregas acontece apenas dois anos após ter saído do programa de ajustamento e numa altura em que a austeridade ainda prossegue em Atenas. Além disso, a própria economia ainda não tinha recuperado do choque da crise das dívidas soberanas, aumentando o ritmo de recuperação apenas nos últimos anos.

Apesar de ter há uma década a dívida pública mais elevada da União Europeia, a Grécia ainda não tinha atingido o patamar psicológico dos 200% do PIB, o que, em teoria, significa que apenas a produção de dois anos da economia grega daria para pagar a dívida. O anterior pico tinha sido alcançado em 2018 com um rácio de 184,8% do PIB.

O salto da dívida pública grega será considerável em termos europeus uma vez que, em média, a dívida pública da Zona Euro deverá aumentar 13,3 pontos percentuais em 2020, face a 2019, atingindo os 97,4% do PIB, metade do tamanho do endividamento público da Grécia, o que mostra bem as divergências neste indicador dentro da União Económica e Monetária.

Contudo, a boa notícia é que a recuperação da economia em 2021 e a melhoria das contas públicas, caso não repitam as medidas implementadas este ano por causa da pandemia, deverá levar o rácio a deixar desse patamar psicológico, baixando para os 194,8% do PIB no próximo ano.

A seu favor a Grécia tem o facto de grande parte da sua dívida estar nas mãos dos credores europeus e do próprio Fundo Monetário Internacional pelo que tem uma dependência reduzida face aos mercados internacionais e, por isso, às diferentes avaliações que as agências de rating possam vir a fazer da sua capacidade de reembolso.

Além disso, ao contrário do que acontecia nas compras de dívida anteriores, a Grécia está a beneficiar do poderoso programa pandémico do Banco Central Europeu (BCE), o que está a servir de almofada financeira para os países da Zona Euro.

Segundo também as estimativas do FMI, a economia grega deverá recuperar 5,1% em 2021 e a taxa de desemprego baixará dos 22,3% para os 19%. Ainda assim, será a mais alta da Zona Euro.

Porém, a recuperação do défice será mais tímida, passando de 9% em 2020 para 7,9% em 2021, após ter tido um excedente de 0,4% em 2019. Tal como acontecerá em Portugal, e em praticamente todos os países, o peso da despesa irá subir em flecha ao passo que as receitas vão cair mais ou menos em linha com a queda do PIB, mantendo o seu peso relativo.

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