55% das empresas já reduziram ou vão reduzir postos de trabalho devido ao Covid-19

A percentagem de empresas que já reduziu ou vai reduzir postos de trabalho já ultrapassa os 50%, enquanto 81% considera insuficientes as medidas de apoio implementadas pelo Governo.

As empresas portuguesas estão a enfrentar uma crise profunda fruto da pandemia de coronavírus. Num universo de 220 empresas, 55% revelam que já reduziram ou vão reduzir postos de trabalho devido ao Covid-19, revela o Barómetro Kaizen.

“Feito um mês depois de ter sido decretado o estado de emergência, as empresas já sentem consequências da conjuntura que vivemos. Muitas já tiveram de reduzir o número de trabalhadores e muitas outras procuram formas para se conseguirem adaptar da melhor forma possível a esta nova realidade”, explicou António Costa, senior partner do Kaizen Institute Western Europe.

O Governo estima que cerca de um milhão de trabalhadores está em lay-off. De acordo com este barómetro económico, metade dos inquiridos já recorreu ou planeia recorrer ao lay-off simplificado, isto é, ao apoio extraordinário à manutenção de contratos de trabalho que permite que reduz o rendimento dos trabalhadores a dois terços, sendo que a Segurança Social assegura 70% do vencimento e a empresa os outros 30%. Além disso, 43% dos empresários consultados já recorreu ou pretende recorrer à flexibilização do pagamento de impostos, outra das medidas avançadas pelo Executivo para ajudar as empresas a resistir a este período de paragem da atividade económica.

Empresários consideram medidas de apoio insuficientes

No entanto, 81% dos inquiridos neste barómetro consideram as medidas insuficientes. Segundo o estudo levado a cabo junto de empresas de dimensão média ou grande, o grau de confiança dos gestores na economia nacional encontra-se nos 8,4 valores numa escala de 0 a 20, um valor inferior ao do último barómetro realizado pelo Kaizen Institute, em fevereiro, quando o indicador se situava nos 12,1 valores.

“Por considerarem que estas medidas não estão a ser suficientes, 40% dos inquiridos destacou questões que gostariam que fossem implementadas como a isenção de comissões nas linhas de crédito disponibilizadas pelo Estado, a adoção do apoio financeiro às famílias ou a possibilidade de isenção de contribuições sociais a empregadores que optem por pagar acima dos valores previstos pela lei em caso de lay-off”, explicou o senior partner. A crítica em relação às linhas de crédito leva, por exemplo, a que 55% dos inquiridos recusem recorrer às mesmas.

Muitas já tiveram de reduzir o número de trabalhadores e muitas outras procuram formas para se conseguirem adaptar da melhor forma possível a esta nova realidade.

António Costa

Senior partner do Kaizen Institute Western Europe

Nestes tempos de pandemia a quase totalidade das empresas inquiridas tem colaboradores em teletrabalho e mais de 60% das equipas em
teletrabalho reportam menor eficiência no seu desempenho. Este facto aliado ao lay-off leva a que 78% das empresas a reportarem valores de faturação abaixo do orçamentado. Contudo, 74% das empresas também admite que conseguiram reduzir os custos.

“Grande parte das empresas que inquirimos estava preparada para manter a sua atividade em pleno. Esta preparação facilitou a adaptação imediata de postos de trabalho, o horário dos turnos e a adoção de medidas para movimentar materiais, limitar pessoas por área e até para contactar com o exterior. No caso dos colaboradores em teletrabalho, contribuiu para a imediatez da transição, que nesta fase é fundamental”, realça António Costa.

Das empresas inquiridas neste barómetro – universo empresarial que representa 35% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional – a maioria dos empresários prevê que seja necessário um período entre seis e mais de 12 meses para retomar o nível de atividade préCovid-19. E 37% dos inquiridos admitem ter uma quebra de 37% nos seus resultados.

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