Após maior crise do pós-guerra, Goldman Sachs vê retoma rápida

A retoma da economia será em V e rápida, antecipa o banco de investimento norte-americano. Apesar do otimismo considera que o rally acionista revela investidores demasiado confiantes.

O mundo está a viver aquela que será a pior crise económica e financeira desde a segunda guerra mundial. A causa é a pandemia de Covid-19, mas é exatamente devido às circustâncias de exceção que a recuperação deverá ser rápida. É esta a expetativa do banco de investimento Goldman Sachs, que antecipa que a retoma comece já no segundo semestre do ano.

“Este é um choque como nunca vimos. As economias vão cair mais do que na crise de 2008 ou em qualquer crise que tenhamos vivido na era pós-guerra. Estes números são muito agressivos, mas esperamos uma recuperação do crescimento sequencial na segunda metade do ano“, diz Peter Oppenheimer, chief global equity strategist do Goldman Sachs, numa videoconferência com jornalistas, esta quinta-feira.

O banco de investimento projeta que, no segundo trimestre do ano, o produto interno bruto dos países desenvolvidos caia 11% na comparação anual e 35% face ao trimestre anterior. No caso da Zona Euro poderá ser ainda mais agressivo, com a queda projetada em cerca de 40%.

Mas depois de junho, o cenário poderá já ser diferente. O Goldman Sachs vê uma rápida recuperação suportada nos níveis sem precedentes de estímulos monetários e orçamentais, que deverá prolongar-se no próximo ano. A estimativa é que, em 2021, o crescimento mundial seja de 6,2% e, em 2022, de 4%.

"O nosso cenário base é que continue para o próximo ano. E as taxas de juro deverão manter-se nos níveis atuais por um longo período de tempo. Esperamos que o BCE responda de forma a prevenir outra crise da dívida soberana.”

Silvia Ardagna

Diretora-geral do grupo de estratégia de investimento do Goldman Sachs

Os pacotes de medidas vão apoiar a recuperação, que será bastante rápida e em forma de V“, sublinha Silvia Ardagna, diretora-geral do grupo de estratégia de investimento do Goldman Sachs. Sublinha que bancos centrais como o Banco Central Europeu (BCE) poderão ainda reforçar a intervenção.

Apesar de não financiar diretamente a economia como já anunciaram a Reserva Federal norte-americana ou o Banco de Inglaterra, o BCE alinhou no reforço da compra de ativos. A instituição liderada por Christine Lagarde anunciou um programa de emergência pandémica que permite a aquisição de 750 mil milhões de euros até ao final do ano.

“As condições financeiras irão provavelmente continuar muito acomodatícias na Zona Euro. O programa é muito grande, mas um alargamento é possível. O nosso cenário base é que continue para o próximo ano. E as taxas de juro deverão manter-se nos níveis atuais por um longo período de tempo. Esperamos que o BCE responda de forma a prevenir outra crise da dívida soberana“, sublinhou Ardagna.

Rally acionista está a ser demasiado rápido

Apesar do otimismo quanto à recuperação da economia, os analistas do Goldman Sachs alertam que esta recuperação já poderá estar descontada nas ações. Após um março negro para as bolsas mundiais, as ações de índices como o S&P 500 já ganham mais de 25% desde os últimos mínimos.

“Temos assistido a um rally muito significativo nos mercados acionistas. Este rally é provavelmente muito rápido porque ainda há riscos“, alerta Oppenheimer. Devido à elevada incerteza, a expectativa é que a curto prazo haja muita volatilidade nos mercados, sendo que o Goldman Sachs considera que as ações norte-americanas já atingiram os níveis mais baixos deste ano.

O banco de investimento acredita os mercados não vão assistir a novos sell-offs causados pelo stress, mas sim que as quedas do início do ano criaram oportundiades. Ainda assim, deixam um aviso: como grandes investidores, se as agências de rating começarem a baixar as avaliações dos ativos, o Goldman Sachs poderá ter de vender.

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