BPI prevê alargamento das moratórias e reforço das linhas de crédito

Para o BPI, que antecipa uma recuperação económica lenta, deverá ser necessário um prolongamento das moratórias nos empréstimos além dos seis meses e ainda um reforço das linhas de crédito.

Empresas e famílias afetadas pela pandemia do Covid-19 podem suspender o pagamento das prestações do crédito durante seis meses. Mas o BPI acredita que a recuperação da economia vai ser mais demorada e que, por isso, a moratória vai precisar de ter prazos mais alargados. O banco adianta ainda que as linhas de crédito com garantia do Estado também vão precisar de reforço.

“Concordo que a recuperação vai ser lenta, e concordo que é possível que a moratória no crédito de seis meses não seja suficiente“, disse o administrador do BPI, Pedro Barreto.

O responsável, que está a ser ouvido numa audição na Comissão de Orçamento e Finanças no âmbito de um requerimento apresentado pelo CDS sobre a resposta dos bancos à pandemia do coronavírus, adiantou, no entanto, que a recuperação irá variar de setor para setor. “Por isso, entendo que quem tem de decidir prefira não tomar já uma decisão em relação ao tema da moratória”, disse Pedro Barreto. Também o administrador do BPI João Oliveira e Costa participou na audição parlamentar.

Relativamente às linhas de crédito, Pedro Barreto considera que ainda é cedo para dizer se os 6,2 mil milhões de euros já disponibilizados vão ser suficientes ou não. Ainda assim, o gestor bancário antecipa que vão precisar de um reforço, tanto no montante global, como no montante máximo que pode ser disponibilizado a uma empresa.

Admito que venha a ser necessário mais montante nas linhas e mais prazo nas moratórias. Entendo também que, eventualmente, nas linhas o montante máximo devia ser revisto em alta porque dois milhões de euros é pouco relevante para um parte importante das empresas. São empresas que têm muitos empregados e para o emprego isso é importante”, disse Pedro Barreto.

Neste ponto, o administrador do BPI disse aos deputados que tem recebido sinais positivos da parte do Governo para que o reforço das linhas venha a ocorrer.

Pedro Barreto revelou ainda que o banco está a fazer adiantamentos às empresas no âmbito das linhas Covid-19, antes da aprovação final que passa pela Sociedade de Garantia Mútua. Nesse sentido, o gestor disse que a instituição está a fazer a sua própria análise de risco, dado que 20% do crédito não está garantido pelo Estado.

Sobre as críticas na demorada da chegada do dinheiro às empresas, o responsável disse que só na passada quinta-feira (dia 17) é que as linhas de crédito ficaram disponíveis, apesar de terem sido anunciadas no início do mês. Até à passada quinta-feira, só estavam a ser exigidos dois documentos às empresas. Mas a exigência aumentou entretanto, sendo que agora as empresas têm de apresentar nove documentos a pedido da sociedade de garantia mútua. “Em relação à burocracia, não pedimos mais nenhum documento além destes”, disse Pedro Barreto.

Impacto no banco “vai ser bastante significativo”

Questionado sobre o impacto da atual situação de pandemia, João Oliveira e Costa considerou que “vai ser bastante significativo” nas contas do banco.

“Não lhe consigo dar uma ordem de grandeza”, começou por dizer o administrador. Estamos agora numa situação mais forte. Perante aquilo que se nos afigura, temos uma capacidade razoável para o nível de imparidades que vamos ter de acomodar“, assegurou João Oliveira e Costa.

O gestor bancário disse que o banco tem vindo a registar imparidades negativas, fruto do bom momento económico que o país vinha atravessando nos últimos anos, mas rentabilidade vai mudar significativamente” com a pandemia.

(Notícia atualizada às 15h56)

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