Há Insurtechs e apoio fiscal para seguradoras enfrentarem covid-19

  • António Ferreira
  • 21 Abril 2020

Insurtechs portuguesas prontificam-se a acelerar a transformação digital que o quadro de excecionalidade exige à indústria seguradora. Esperam pedidos das incumbentes e há apoio fiscal.

São pelo menos quatro dezenas de empresas com soluções tecnológicas dedicadas ao setor financeiro e que reafirmam a sua prontidão no processo de transformação digital que a crise sanitária tornou ainda mais exigente. Um inquérito ao setor fez um diagnóstico aos principais problemas levantados pela pandemia e quais as respostas mais urgentes na adaptação das fintech/insurtech ao contexto da pandemia (Covid-19).

Vocacionada para promover a aproximação entre empreendedores e o setor financeiro, a non-profit Portugal Fintech organizou um seminário pela internet (webinar) para revelar uma lista de startups com propostas de valor que, no atual contexto, podem ajudar a reforçar o setor de serviços financeiros (bancos e seguradoras). “Há muitas soluções prontas do lado das Insurtechs que muitas vezes, por desconhecimento das seguradoras, poderiam estar a ajudar a resolver um problema, de forma digital, eficiente e compliant. Neste sentido, um dos objetivos do webinar “é expor as soluções e juntar aos incumbentes que precisam delas”, afirma a ECO Seguros João Freire de Andrade, presidente da Portugal Fintech.

Entre as soluções prontas a implementar estão, por exemplo, soluções de otimização de seguros, como seguros automóveis com modalidades de pagamento pay-per-mile. “Isso é uma realidade. Com a quarentena houve uma redução drástica de quilómetros feitos. Os carros estão parados e há muita gente a pensar quais são os seguros adequados”. Mas existem diversas oportunidades ao dispor dos incumbentes, como os temas da “contratualização usando tecnologia certificada, na distribuição, na criação de novos seguros”, exemplifica.

João Freire de Andrade, fundador da Portugal Fintech: “Há insurtechs ou bundles destas que podem colocar soluções, compliant muito rapidamente na rua e que já poderiam estar a resolver alguns dos problemas largamente identificados pelas pessoas e empresas.” João Freire de Andrade, fundador da Portugal FintechHugo Amaral/ECO

 

As insurtechs também podem ajudar as seguradoras a sair da crise mais fortes e alguns destes projetos “seriam imediatamente elegíveis”, por exemplo, para apoios e incentivos fiscais do programa SIFIDE, através da ANI (cujo prazo de candidaturas se prolonga até junho) “o que poderia aguçar o apetite de alguns incumbentes” no sentido de abordarem estas oportunidades. Para isso, a Portugal Fintech está também a trabalhar na criação de condições “para isto ser mais linear”, acrescenta.

Das dezenas de fintechs que integram a carteira de soluções preparadas para o webinar estão, entre outras insurtechs, a Keep Warranty, Habit, Lovys e Drivit.

“Todas estas propostas de valor são muito fortes para o pós-covid. Valores como a digitalização, facilidade de utilização, seguros mais adaptados e on-demand são diferenciações e facilidades que os clientes vão querer e cada vez mais”, realça Freire de Andrade. Reconhecendo que as insurtech “não são uma poção mágica”, o responsável da associação não lucrativa observa: “um estrito trabalho de colaboração e desenho do caso de uso, integração e manutenção continua a ser exigido à seguradora”.

Além do webinar que enquadra a resposta do setor e o esforço de match making para o atual contexto de pandemia, outra iniciativa de dinamização dos canais de comunicação resultou na criação do fórum #FintechAroundCOVID19, já acessível na plataforma Slack e aberto a toda a comunidade.

Pandemia afetou o setor, mas abre oportunidades

Uma das principais conclusões de um estudo da Portugal Fintech – visando o objetivo de perceber o impacto da covid-19 no setor e tomar o pulso às oportunidades de colaboração no atual cenário – revela que a crise sanitária afetou o processo de decisão dos incumbentes (seguradoras e bancos), e atrasou pagamentos.

Queda nas vendas, adiamento da execução de projetos, e consequentes pagamentos, são as principais consequências negativas da pandemia COVID-19 para as startups do ecossistema, indica o ‘Fintech Survey’.

Os dados do inquérito mostram ainda que 71% das startups fintech assumem uma quebra significativa nas suas vendas e 29% dizem ter perdido mais de 50% das receitas. Por outro lado, quase todas as que se encontravam a levantar capital pararam o processo ou estão a experienciar um abrandamento significativo no processo de financiamento.

A ideia de falta de visibilidade das soluções disponibilizadas pelas startups do setor financeiro perante os incumbentes justificou também a preparação da lista de soluções que, de acordo com a Portugal Fintech, podem potenciar o próximo ‘normal’ pós-covid. A inscrição no webinar é gratuita.
Aceda por aqui à sessão gravada.

(Atualizado às 14h12, 23 de abril, com hiperligações “solutions list” e “sessão gravada”)

 

 

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