Navigator cai 4% em dia negativo para o setor papeleiro em Lisboa

PSI-20 voltou a cair depois de duas sessões em alta. Navigator liderou as perdas em Lisboa, registando uma queda de 4%. Lá por fora o sentimento também foi negativo a fechar a semana.

O mau desempenho do setor do papel ditou perdas em Lisboa, após duas sessões de ganhos. E isto num dia em que os principais índices acionistas europeus também encerraram com perdas devido a algum desalento com os resultados do Conselho Europeu, mantendo-se os receios em torno do combate à pandemia do coronavírus.

O PSI-20, o principal índice português, caiu 0,88% para 4.112,48 pontos, com 15 cotadas abaixo da linha de água. Destaque para o setor do papel: a Navigator afundou 4,18% para 2,248 euros depois de a empresa ter alertado “que a introdução de novas taxas ou contribuições financeiras em Portugal – como a contribuição florestal que o Governo quer criar este ano – irá travar os seus investimentos”, de acordo com o BPI. A casa-mãe Semapa (detém cerca de 70%) caiu 3,79% para 8,63 euros. A Altri perdeu 2,42% para 4,606 euros.

Entre os pesos pesados, o banco BCP viu as ações caírem 1,97% para 0,0945 euros e a retalhista Jerónimo Martins cedeu 0,97% para 15,745 euros.

A Mota-Engil também não escapou à pressão vendedora, com os títulos da construtura a caírem 1,29% para 1,07 euros, isto apesar de ter anunciado esta quinta-feira uma encomenda no México no valor de 636 milhões de euros, naquele que é o maior contrato na América Latina.

Mota em queda

“As ações da Mota-Engil têm ultimamente sido pressionadas pela sua exposição aos mercados emergentes (que são os mais atingidos pela aversão ao risco dos investidores), muitos deles com uma dependência da cotação do crude”, referiram os analistas do BPI.

Também as principais praças europeias terminaram o dia em baixa. O índice de referência europeu Stoxx 600 caiu 1,07%. O alemão DAX-30 recuou 1,60%, enquanto as bolsas de Paris e Madrid desvalorizaram 1,30% e 1,27%, respetivamente.

Os analistas apontam dois fatores para o sentimento negativo dos investidores: o falhanço no desenvolvimento de um tratamento para o coronavírus por parte da Gilead Sciences; e ainda o desalento com os resultados que saíram do Conselho Europeu, que ficaram aquém dos esperado.

Os juros associados à dívida dos países periféricos estiveram a subir esta sexta-feira, refletindo alguma incerteza sobre quem vai pagar a fatura da resposta europeia para recuperação económica. Entretanto, a taxa da dívida a 10 anos de Portugal acabou por descer ao longo do dia, fixando-se nos 1,096%.

O petróleo, que viveu uma semana histórica com o facto de pela primeira vez ter negociado em valores negativos, mantém a tendência de recuperação face à segunda-feira negra. Em Nova Iorque, o barril de crude valoriza 3,6% para 17,1 dólares.

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