Clientes da banca queixam-se mais, mas têm menos razão. Contas são o alvo

Banco de Portugal recebeu 18.104 reclamações contra a banca, mais 18,7% que em 2018. Em 61% dos processos encerrados não foi, contudo, dada razão aos clientes. Contas bancárias lideram queixas.

Após uma quebra ligeira em 2018, o número de queixas dos portugueses relacionadas com o serviço prestado pelos bancos voltou a acelerar. O Banco de Portugal (BdP) recebeu mais de 18 mil reclamações de clientes bancários no ano passado, quase 19% acima da média mensal registada em 2018, revela o Relatório de Supervisão Comportamental. Mas em 61% dos casos não foram detetados pelo regulador quaisquer indícios de infração.

A entidade liderada por Carlos Costa acolheu 18.104 reclamações de clientes bancários, revela o documento. Tal aponta para a entrega de 1.509 reclamações por mês, em média, mais 18,7% face à média mensal registada ao longo de todo o ano de 2018.

“Este crescimento foi induzido pelas reclamações entradas pelo Livro de Reclamações Eletrónico, cujo acesso foi disponibilizado em julho de 2019”, adianta a esse propósito o BdP. Ainda assim, mesmo excluindo esse mecanismo de reclamação, o número de queixas cresceu 1,4%.

À semelhança do observado em anos anteriores, as contas de depósito, o crédito aos consumidores e o crédito à habitação foram as matérias mais reclamadas. Representaram, respetivamente, 32,5%, 24,7% e 11,6% das reclamações apresentadas pelos clientes bancários.

“O aumento das reclamações recebidas foi acompanhado pelo crescimento das reclamações sobre depósitos bancários e crédito aos consumidores, diz a esse propósito o regulador da banca.

No caso das contas de depósito, o número de reclamações aumentou de 26 para 42 por cada 100 mil contratos. “Para este crescimento contribuiu sobretudo o incremento do número de reclamações sobre a movimentação de contas, encerramento e cobrança de comissões ou encargos nos depósitos à ordem“, explica o BdP.

Já no crédito aos consumidores, as reclamações aumentaram, de 32 para 36 em cada 100 mil contratos, com o regulador a destacar “o contributo das reclamações sobre responsabilidades de crédito”. Por sua vez no crédito à habitação e hipotecário, a instituição dá conta que o número de reclamações cresceu, de 94 para 100 por cada 100 mil contratos, destacando nesse âmbito, “o contributo das reclamações sobre cálculo de prestações e da TAEG e responsabilidades de crédito“.

Apesar do aumento global do número de queixas recebidas pelo regulador da banca, em mais de metade não foi atribuída razão ao cliente. Não foram detetados indícios de infração em 61% das reclamações encerradas, proporção que aumenta ainda face aos 56% registados no ano anterior.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Clientes da banca queixam-se mais, mas têm menos razão. Contas são o alvo

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião