Investimento do Santander protegeu Ebury contra Covid-19. “Antes da crise, reforçámos muito o capital”

Ser uma empresa tecnológica e presente em 19 países foram fatores determinantes para a fintech se adaptar ao teletrabalho. Mas foi o reforço do capital que irá ajudar a lidar com o impacto a prazo.

Três dias depois de se ter confinado e começado o teletrabalho, a fintech Ebury Portugal já tinha retomado a produtividade que tinha no escritório. O diretor geral Duarte Líbano Monteiro conta como ser uma empresa tecnológica e mundial ajudou na transição da atividade. Quanto à solidez para lidar com o impacto de longo prazo, aponta para a proteção do investimento do Santander.

“Somos uma empresa tecnológica desde o primeiro dia. A Ebury foi construída em sistemas digitais, o que nos permite trabalhar a partir de qualquer lado. É a grande vantagem para a parte operacional”, explica Líbano Monteiro, em entrevista para a rubrica diária do ECO, Gestores em teletrabalho.

“Em termos pessoais, é uma questão de conseguir ter regras. É fácil distrairmo-nos em casa. E depois também a rotina de conseguir gerir a equipa à distância. No escritório, consegue-se perceber melhor como está o ambiente. À distância e a gerir dezenas de pessoas, começa a ser um pouco mais complicado de perceber”, conta.

O gestor faz três reuniões diárias, a começar às 8h30 toda a equipa. A meio do dia e ao fim da tarde, volta a falar com os chefes de equipa, sendo que cada um deles faz o mesmo com os membros das suas equipas. “A ideia é tentar manter o contacto constante, independentemente das chamadas que sejam necessárias ao longo dia, e perceber o que é preciso”, refere o diretor geral. “Dois ou três dias depois, a produtividade já estava nos mesmos níveis que antes”, explica, acrescentando que, tendo escritórios, em Itália, Hong Kong e Singapura, puderam antecipar as mudanças.

Se a adaptação da equipa não demorou, a principal dificuldade é a relação com os clientes da Ebury, que é especializada em pagamentos e cobranças para empresas fora da Zona Euro. Grande parte dos clientes são empresas que tiveram também eles de se adaptar aos novos tempos. O gestor explica que uma das prioridades foi ajudar os clientes a desfazerem operações de fixação de taxas de câmbio que tinham feito e deixaram de precisar devido à quebra nas vendas.

“Estamos muito preparados para o que aí vem. Tomámos medidas conservadoras, como qualquer empresa, mas nunca falhando à necessidade dos clientes. O nosso objetivo foi, desde o primeiro momento, a saúde dos nossos trabalhadores e a estabilidade do serviço ao cliente”, garante.

Duarte Líbano Monteiro, cujo percurso passou pela banca, lembra a crise da dívida de 2008 e diz que aprendeu a lição. “O grande problema que aconteceu, na altura, no setor financeiro foi a falta de capital. Muitos ativos e pouca liquidez. Por isso, é que muitos rebentaram. Nós fizemos ao contrário, antes de qualquer coisa, já estávamos a reforçar muito o nosso capital. Tivemos o investimento do Santander e falámos com muitos clientes“.

As medidas que vão ser tomadas pelos vários governos é que vão ajudar ou não. Todos os governos podem por todo o dinheiro que quiserem e endividarem-se até mais não para o fazer, mas a questão é: quem é que vai pagar e quanto tempo é que vai demorar a pagar?

Duarte Líbano Monteiro

Diretor geral da Ebury Portugal

O grupo bancário espanhol Santander anunciou em novembro um investimento de cerca de 400 milhões de euros na Ebury, que opera em 19 países e 140 moedas. A operação ficou concluída na semana passada e é um dos principais fatores que leva Duarte Líbano Monteiro a acreditar na solidez da fintech para lidar com o impacto do Covid-19.

Apesar de estar otimista em relação ao próprio negócio, o gestor considera que o impacto da pandemia na economia será significativo e mais duradouro que o esperado. “Há muitas empresas que vão passar dificuldades. As medidas que vão ser tomadas pelos vários governos é que vão ajudar ou não. Todos os governos podem por todo o dinheiro que quiserem e endividarem-se até mais não para o fazer, mas a questão é: quem é que vai pagar e quanto tempo é que vai demorar a pagar?”, acrescenta.

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