Portugueses aproveitam confinamento para dar “retoques na pintura”. Barbot vende mais tintas e dá gel

A esmagadora maioria das empresas está a sentir o impacto da pandemia, o que não é o caso da Barbot que viu as suas vendas aumentarem 5% no primeiro trimestre.

Carlos Barbot, CEO da Barbot está a lidar a empresa entre regime de teletrabalho e presencial. “Estou dois dias por semana a trabalhar a partir de casa e três na empresa”, explica o gestor. Em relação aos 150 colaboradores que a empresa emprega, Carlos Barbot explica que alguns trabalhadores estão em teletrabalho como é o caso da equipa comercial.

Os colaboradores da unidade fabril localizada em Canelas continuam a laborar, mas com medidas muito especificas: turnos, higienização e distância de segurança. O gestor explica que as lojas da marca estão a trabalhar normalmente, mas à “porta fechada”. “Na fábrica os trabalhadores estão divididos por duas equipas, uns trabalham de manhã, outros de tarde”, refere o neto do fundador da Barbot.

Barbot faz correr muita tinta e aumenta vendas no 1º trimestre

A empresa que conta com um volume de negócios de 50 milhões de euros e produz cerca de 30 mil toneladas de tinta por ano, ainda não sentiu o impacto do Covid-19. “A produção de tinta continua a decorrer normalmente e até agora não sentimos grandes problemas em relação às vendas. No trimestre passado, as vendas aumentaram 5% em relação ao período homologo”, destaca Carlos Barbot, um dos entrevistados da rubrica diária do ECO, Gestores em Teletrabalho.

Com a esmagadora maioria das empresas a sentir o impacto do Covid-19, qual é o segredo da Barbot? Será que com o isolamento e com grande parte da população em casa as pessoas estão a dedicar-se mais à bricolage? Carlos Barbot explica que a venda de tintas para o exterior decorre normalmente e brinca dizendo que “o ar não está contaminado”. O gestor também acredita que o facto de as pessoas estarem em casa têm mais tempo para estes retoques na pintura. Explica ao ECO que este fenómeno não está a acontecer só em Portugal, “na Alemanha no final de março o terceiro artigo mais vendido era tinta”, destaca Calos Barbot.

Em relação às matérias-primas, o gestor adianta que a Barbot ainda não teve qualquer problema e que as “encomendas estão salvaguardadas”, garante Carlos Barbot. “Nós recebemos as encomendas e entregamos onde o cliente quiser”, refere. Acrescenta ainda que, face à transição para o mundo digital, reabriram a loja online da Barbot.

Barbot junta-se à onda solidária e está a produzir desinfetante

A Barbot junta-se à luta contra a pandemia do Covid-19 e está a produzir, na fábrica em Canelas, uma solução que permite a desinfeção de superfícies. A empresa que fez a semana passada um donativo de cinco toneladas de desinfetante à autarquia de Gaia, prepara-se para entregar uma nova remessa de dez toneladas de desinfetante.

“Nós temos capacidade e estamos a produzir mais desinfetante para doar à Câmara de Gaia e também à autarquia do Porto. Fico muito contente por ajudar nesta causa e dentro daquilo que estiver ao nosso alcance vamos continuar a produzir esta solução”, destaca com orgulho Carlos Barbot.

Em relação aos apoios do Governo ao tecido empresarial, o gestor explica que “em termos práticos e reais até agora para este setor das tintas ainda não tivemos nenhuma ajuda”, conta Carlos Barbot. Com cerca de 35 mil empresas em lay-off, um milhão de pessoas paradas, fábricas suspensas, escolas fechadas e grande parte da população em teletrabalho, o gestor “entende que existem outros setores que precisam mais do apoio do Governo como a restauração e o turismo”, refere.

“O lema na Barbot é estarmos preparados para o pior e esperar o melhor”, refere o gestor. Carlos Barbot considera que depois desta experiência esforçada de teletrabalho muita coisa vai mudar, como por exemplo as reuniões. “As deslocações de avião que fazíamos de um dia para o outro para comparecer em reuniões, está comprovado que é desnecessário”, conclui o gestor que está faz correr tinta desde 1981.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Portugueses aproveitam confinamento para dar “retoques na pintura”. Barbot vende mais tintas e dá gel

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião