“Na agricultura não é possível trabalhar remotamente”, diz o CEO da Herdade Maria da Guarda

Em plena pandemia, o ECO foi bater à porta do CEO da Herdade Maria da Guarda. João Cortez explica as dificuldades do trabalho remoto, mas suspira de alívio por não ser altura da apanha da azeitona.

A Herdade Maria da Guarda é um dos maiores produtores de azeite em Portugal. Só no Alentejo, produz cerca de dois milhões de litros de azeite por ano, o que equivale a 2% da produção nacional. Com esta pandemia, as operações na quinta, localizada na Serpa, sofreram alterações, tanto a nível dos trabalhadores, como a nível de processos.

O CEO da Herdade Maria da Guarda, João Cortez de Lobão, é um dos muitos portugueses que está em regime de teletrabalho e é um dos entrevistado na nova rubrica diária do ECO chamada Gestores em teletrabalho. Começa por dizer que está a trabalhar a partir de casa porque está na parte da gestão e logística da empresa, até porque no campo, o processo é diferente e a tecnologia ainda não permite trabalhar à distância. João Cortez explica que “os trabalhadores que estão no terreno não têm essa possibilidade”.

João Cortez é um apaixonado pela terra, mas neste momento optou por trabalhar remotamente, até porque já fez o teste de despistagem ao Covid-19. O gestor esteve, na semana passada, numa feira na Holanda onde esteve em contacto com vários italianos que estavam infetados. “Mal regressei a Lisboa fiz o teste e felizmente deu negativo”, explica. Mesmo com resultado negativo o CEO da Herdade Maria da Guarda, conta ao ECO que preferiu optar pelo teletrabalho e confessa que vai apenas ao escritório nas Amoreiras, em Lisboa, para ir buscar a correspondência.

É pai de 8 filhos, com idades compreendidas entre os sete e os 29 e evidencia que “todo o cuidado é pouco”: seis dos seus filhos estão “fechados em casa com bastantes regras”. Conta que um dos filhos está em Nova Iorque e que umas das filhas trabalha em Madrid, mas teve que voltar porque está grávida e foi aconselhada a isolar-se na quinta da família no Alentejo.

Apesar de toda esta preocupação com o seu núcleo familiar, conta ao ECO que tem que “assegurar que o negócio não pára” e que vai continuar “a promover reuniões de trabalho em Facetime”, juntamente com toda a equipa. “Não queremos ficar em modo passivo, queremos continuar a negociar com fornecedores e clientes, apenas de forma diferente e sem contacto presencial. Isto é, também, uma forma de assegurar que os trabalhadores recebem os seus ordenados na íntegra”, refere João Cortez.

João Cortez explica que dos 40 trabalhadores apenas um terço está a operar. Acrescenta que os sete tratores da Herdade Maria da Guarda continuam a lavrar os mais 700 hectares de terra, mas com regras “muito bem definidas”. “Os trabalhadores estão por turnos e sempre que trocam fazem a lixiviação de todo o equipamento”.

João Cortez conta ao ECO, com algum alívio, que como o processo de extração do azeite é feito em outubro e as vendas ocorrem no final do ano, a situação está controlada. Respira fundo e refere que “se esta pandemia fosse na altura da apanha da azeitona seria uma autêntico caos (…) nem quero imaginar como faríamos a colheita só com um terço dos trabalhadores e sem evitar contacto”, conclui.

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