Remoto faz parte do ADN da Feedzai. “Estamos bem protegidos dos efeitos económicos da pandemia”, diz Nuno Sebastião

Com 500 pessoas espalhadas um pouco por todo o mundo, a Feedzai tinha já gente a trabalhar de casa antes mesmo da pandemia. A cultura do trabalho remoto faz parte do ADN da tecnológica.

É tecnológica. É digital. E, também por isso, Nuno Sebastião, cofundador e CEO da Feedzai, acredita que a startup portuguesa está “bem protegida dos efeitos económicos que esta pandemia possa ter”. “A verdade é que fazemos parte de um grupo de empresas que já nasceram globais e digitais. Isso significa que não estamos apenas dependentes de uma determinada região do mundo e que todo o nosso negócio é conduzido com recurso a plataformas e ferramentas digitais. A nossa empresa, quer do ponto de vista tecnológico, quer do ponto de vista de mindset, foi toda construída para ser operada em ambientes remotos”, justifica o empreendedor, assinalado que setores como o turismo, uma das principais alavancas do crescimento económico “será bastante afetado, sem dúvida. Os serviços também deverão enfrentar dias muito difíceis”.

“A Feedzai já nasceu uma empresa global e altamente distribuída pelo mundo inteiro”, começa por contar Nuno Sebastião, entrevistado nova rubrica diária do ECO chamada Gestores em teletrabalho. Na altura, e logo que ganhou os primeiros grandes clientes nos Estados Unidos, a empresa tinha “pessoas a trabalhar a partir de Portugal e a dar suporte a esses projetos importantíssimos que estavam a começar”. “Essa dinâmica manteve-se e a realidade é que temos mais de 500 pessoas espalhadas um pouco por todo o mundo e muitas delas já trabalhavam a partir casa, antes mesmo de esta pandemia ter começado. Essa cultura de trabalho remoto já fazia parte do nosso ADN“.

A realidade é que temos mais de 500 pessoas espalhadas um pouco por todo o mundo e muitas delas já trabalhavam a partir casa.

Nuno Sebastião

Cofundador e CEO da Feedzai

Neste momento, conta Nuno Sebastião, todos e cada um dos trabalhadores da Feedzai trabalha remotamente. Incluindo o próprio CEO. “Tomámos a decisão de fechar temporariamente os escritórios que temos na Europa, Estados Unidos, Ásia e Austrália com o objetivo principal de proteger as nossas pessoas e as suas famílias”.

O processo — que representa um enorme desafio para a maioria das empresas –, foi relativamente simples dado que a empresa é “nativa digital”. No entanto, antes de a Feedzai tomar qualquer decisão de pedir a todos os trabalhadores para trabalharem a partir de casa, foi necessária “uma série de testes” para assegurar que a equipa estava preparada para garantir o apoio a clientes como o Lloyds Banking Group ou o Citi, que apoia no combate ao crime financeiro através desta tecnologia. “A segurança é muito importante numa empresa como a nossa – quando trabalhas para algumas das maiores instituições financeiras do mundo e que depositam em ti a confiança de proteger os seus clientes, sabes que não podes vacilar um milímetro. Isso significa que testámos todos os cenários possíveis para garantir que nada afetaria a capacidade de suporte aos nossos clientes”.

Em termos práticos, os dias que se seguiram encheram-se de “normalidade”. “Já tínhamos todas as ferramentas que precisávamos, os processos de RH preparados, os mecanismos de gestão de projeto em marcha, etc”, detalha Nuno Sebastião. Talvez por isso, o dia-a-dia do português não tenha sofrido grandes alterações desde o início deste processo: o verdadeiro desafio foi, em contrapartida, habituar-se a “uma dinâmica totalmente a partir de casa”, sem deslocações para “lado nenhum”. “Numa reunião de gestão, por exemplo, tenho pessoas em Portugal, Londres e Silicon Valley, o que significa que apenas estamos todos juntos na mesma sala, três ou quatro vezes por ano. Todas as reuniões que fazemos são através de videoconferência e é absolutamente normal termos pessoas em fusos horários diferentes, o que significa que estamos todos muito habituados a estas dinâmicas de trabalho a partir de casa, do aeroporto, do hotel”, refere.

Sobre o futuro e o impacto que a crise provocada pelo Covid-19 pode ter no mundo, Nuno Sebastião adianta que ainda é cedo para medir números. “Preocupa-nos o facto de só ser possível perceber a real dimensão do estrago económico daqui por alguns meses. A China, por exemplo, que começou a combater a pandemia em dezembro, e que só agora está a conseguir estabilizar o problema, divulgou os resultados económicos e o impacto foi bastante significativo. Isto significa que na Europa e nos Estados Unidos ainda não temos a noção real do problema que temos pela frente”.

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